Estive em Lisboa e Lembrei de Você: Confira entrevista com Luiz Ruffato
Por: Da Redação, em Literatura, Review | Nenhum comentário

Lançado no final de 2009, Estive em Lisboa e Lembrei de Você é a mais recente obra de Luiz Ruffato e integra o projeto Amores Expressos. Confira entrevista com o autor.
Autor celebrado e premiado por sua obra, Luiz Ruffato é uma das vozes mais proeminentes da literatura nacional contemporânea.
Ele foi convidado para participar – junto a outros 16 autores – do projeto Amores Expressos, da Cia das Letras, em que, sob o mote de uma “história de amor”, apresentariam-se 16 livros de cidades diversas no mundo.
Estive Em Lisboa e Lembrei de Você é a colaboração do autor, que como destino teve a capital portuguesa. Dividido em duas partes, o livro apresenta como protagonista Serginho, um típico habitante do interior mineiro. Seguindo o viés contrário – o do insucesso no amor – a narrativa brinda o leitor com o melhor do ofício literário, criando um microcosmo que se pauta na cadência acelerada da leitura e diálogos com a oralidade.
Confira entrevista com o autor:
Estive em Lisboa e Lembrei de Você é o terceiro livro do projeto Amores Expressos. Como foi a preparação para escrevê-lo? Você morou em Lisboa por um tempo?
Quando fui convidado a participar do projeto Amores Expressos, escolhi Lisboa como cidade-laboratório. Primeiro, porque já conhecia bastante bem a cidade e poderia então me dedicar a escolher com calma os ambientes onde se passaria a história. Segundo, porque eu já tinha tido contato anterior com os imigrantes brasileiros em Portugal, e o paralelo entre a imigração para o exterior e a imigração interna brasileira me interessava como ponto de partida para a ficção. Assim, miuha estada de 30 dias em Lisboa serviu para aprofundar alguns pontos da história.
Aos ler Estive em Lisboa e Lembrei de Você, percebemos, já nas primeiras páginas, a oralidade como um fator fortemente presente na narrativa. Em que medida este recurso colabora com a construção do enredo?
Acredito que cada livro tenha uma única maneira de ser escrito. O grande desafio, para o escritor, é conseguir compreender a forma correta para dar vida à sua histõria. No caso de Estive em Lisboa e lembrei de você demorei para entender qual seria a conduta adequada, até perceber que seria aquela, a de escrever a história como se fosse um depoimento pessoal, respeitando, na medida do possível, a oralidade do depoente.
O protagonista Serginho é, se assim podemos dizer, uma figura típica do interior mineiro, e, assim como você, de Cataguases. Ruffato carrega um pouco deste personagem? Em qual aspecto?
Eu entendo o Serginho porque também sou imigrante,ou seja, também sou um sujeito pobre, que veio para a cidade grande, no meu caso, São Paulo, tentar melhorar de vida, e aqui passou por dificuldades, as mais diversas, desde aquelas de caráter objetivo, como não ter onde morar ou não saber se terá dinheiro para almoçar no dia seguinte, até aquelas de caráter mais subjetivo, como passar por humilhações por não deter determinados códigos sociais, que vão desde o sotaque que a gente carrega até a falta de malícia. E isso, evidentemente, nos faz conviver de perto com a solidão, com a melancolia, e nos torna, ao longo dos tempos, pessoas mais duras no trato, mais desencantadas, mais desiludidas.
Outro aspecto marcante da obra é sua cadência, que induz a leitura de um único fôlego, sem pausas e de maneira fugaz. Falar de amor de forma mais sucinta é mais confortável?
Eu não sei falar de amor, quer dizer, daquilo que imediatamente está ligado à idéia do amor, um sentimento que une um homem a uma mulher ou dois seres, independentemente do sexo. A rigor, não é sobre isso o Estive em Lisboa e Lembrei de Você…
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Estive Em Lisboa e Lembrei de Você já está disponível no site da Cia das Letras
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