Nove Parágrafos
Por: Caio Campos, em Colunas, Dublês de Poetas | Nenhum comentário

Para alguns, como escritor, J.D Salinger havia morrido em 1965. Para outros, Como exemplo de autor, não se vendeu a Hollywood ou ao mercado editorial, e Salinger vivia como herói. Para muitos what the hell Salinger?
Salinger não se preocupava com o enredo, mas com o estilo. Escrevia por partes. Pode-se ler Salinger como quem assiste um filme por takes.
Salinger nunca quis escrever como um gênio. Mas queria muito viver como se fosse um.
O Apanhador no Campo de Centeio não é a coisa mais brilhante na literatura. Nem na literatura jovem. Nem mesmo na própria literatura de Salinger. Há quem ache Nove Histórias ou Fanny and Zooney obras superiores.
Que o assassino de John Lennon podia estar com o Pequeno Príncipe no bolso, e ainda sim iriam associar o motivo do crime ao livro.
É verdade que Salinger poderia ter complexo de Peter Pan.
Mas ele não escreveu nada superior ao que já foi publicado. Mesmo que sejam revelados os seus escritos secretos. Não conheço na história da literatura, um autor que tem como principal obra uma publicação póstuma. Aliás. A maioria das publicações póstumas mancham a imagem dos grandes artistas.
É bom comparar Salinger a Harry Potter e Senhor dos Anéis para entender que são obras distintas. O Primeiro se veste de adolescente, critica a sociedade e se dá por vencido. Os outros dois são contos de fadas com heróis que querem salvar o mundo.
Salinger não achou nenhuma Phoebe que o fizesse desistir de fugir para o Oeste para viver surdo e mudo esperando a morte chegar.
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