Peça Corte Seco traz proposta de revelar bastidores e perverter conceitos teatrais
Por: Priscila Armani, em Artes Cênicas, Review | Nenhum comentário

Desconforto, estranheza e até irritação são algumas das sensações com as quais o espetáculo brinca, provocando seu público.
Em cartaz no Teatro Sérgio Porto, a peça Corte Seco causa desconforto no espectador desavisado. Isso porque, logo que se chega no local, a primeira impressão é de que se está no lugar errado. Atores andam pelo palco sem rumo certo; temos a diretora Christiane Jatahy e sua equipe numa mesa; faltam as coxias e divisórias. Além disso, objetos de cena estão empilhados e tudo está à mostra propositalmente. Inevitável não se questionar intimamente algo do tipo: "eu cheguei mais cedo do que devia"?
Mas começa a peça. O texto apresenta eventos cotidianos: brigas entre casais, tabus sexuais, traumas, romances, acidentes. E esse universo banal divide espaço com mecanismos típicos do teatro. Cadeiras representam funções a serem interpretadas por personagens que se sentarem nelas; traços no chão determinam a trajetória dos atores; monitores móveis revelam imagens de outros espaços do prédio, captadas por câmeras de vigilância. Tudo acontece em tempo real. E o uso do vídeo não é por acaso. Reserva algumas surpresas.
A duração dos eventos é determinada pela diretora, que realiza cortes abruptos a seu bel prazer. E a intenção disso é que cada edição do espetáculo seja diferente, com novos cortes e uma outra ordem das cenas expostas. Esse mecanismo é interessante, mas não é difícil que o público fique confuso com interrupções tão bruscas e que, em certos momentos, chegam a ser excessivas. Cansar o espectador e o fazer refletir, essa é a ideia. E uma certa irritação também é algo que faz parte da proposta da peça. Um exercício instigante.
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Corte Seco
Até 31 de janeiro
Espaço Cultural Sérgio Porto
Rua Humaitá, 163, Rio de Janeiro
Informações: (21) 2266-0896
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