• Sanga Menor é excelente estreia literária de Cíntia Lacroix

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    A advogada é a nova aposta da Dublinense Editora.

    Cada vez mais interessada em apostar em novos e promissores talentos, a Dublinense Editora está lançando no mercado brasileiro a primeira obra literária da Procuradora da Fazenda Nacional Cíntia Lacroix. 

    A advogada conversou com o Opperaa a respeito do livro Sanga Menor, uma obra que conta a história da família Caramunhoz, especialmente do protagonista Lírio, um jovem que vê no exemplo do pai inválido motivos para se enraizar numa pequena cidadezinha do interior e não ter nenhum tipo de ambição na vida. Veja o que a autora nos contou a respeito do título e de seu processo de criação:

    Existe algum autor que a tenha inspirado e incentivado você a escrever esse primeiro livro?

    A maior parte das inspirações atuam em nós sem que percebamos. Embora eu não consiga identificar o autor ou os autores que teriam me influenciado a escrever Sanga Menor, não acho disparatadas algumas opiniões que ouvi, segundo as quais há, no enredo do livro, elementos do realismo mágico de Gabriel García Márquez e de Isabel Allende, e também algo de Erico Verissimo, especialmente no que diz respeito ao Incidente em Antares.   

    Como classificaria Sanga Menor? Em que gênero literário específico acha que a obra se encaixa?

    Talvez o título do livro sugira tratar-se de um romance regionalista, pois a palavra "sanga" remete ao sul do Brasil. No entanto, a minha ideia, desde o início, foi evitar compromissos geográficos, justamente para que eu pudesse transitar mais livremente durante a construção da trama. Assim, tentei não deixar indícios quanto à localização da cidadezinha interiorana em que se desenvolve a história; aliás, nem eu mesma sei, ao certo, onde se situa a pequena Sanga Menor. Uma ou outra pista acabei deixando escapar, por descuido, especialmente na escolha de alguns vocábulos. E é engraçado como os leitores agarram-se a essas pistas e correm a jogá-las diante de mim, quase vitoriosos, como se tudo isso fosse um jogo de esconde-esconde. E talvez seja mesmo. O fato é que parece ser perturbador, para alguns, não saber exatamente onde se passa a história: Sanga Menor tanto pode estar aqui perto, debaixo do nosso nariz, como pode estar bem longe. 

     
    Existe alguma relação entre o seu cotidiano na Advocacia-Geral da União e Literatura? Você consegue perceber alguma interseção entre seu dia-a-dia e a oficina de criação literária da qual participou, por exemplo?

    Não vejo nenhuma relação entre as duas atividades. A não ser, é claro, a circunstância de que, em ambas, utilizo a palavra escrita como ferramenta primordial. Na advocacia, assim como na literatura, há sempre a preocupação com a forma de apresentação das ideias: se apresentadas de forma palatável, convincente, sedutora, o juiz poderá comprá-las, e o mesmo acontece com o leitor de um romance ou de um conto.

    Sanga Menor é uma obra cuja narrativa tem como ponto central uma cidade do interior. De onde você tirou as referências "interioranas" presentes no livro? É do interior? Tem família em alguma cidade que lembre Sanga Menor?

    Nasci em Porto Alegre e nela vivi a minha vida inteira, com exceção de dois anos passados em Roma. Ou seja, nunca tive um contato direto com essa realidade do interior, e até me sinto um tanto leviana ao pretender retratar um mundo que não é o meu. Contudo, é um ambiente que me fascina, e não resisti à tentação de explorá-lo. Nessa empresa, muito me valeram as histórias que ouvi de meu pai: ele se criou numa cidadezinha da serra gaúcha, e sempre agucei o ouvido para os relatos da sua infância.

    O personagem Lírio é retratado, desde o princípio, como alguém imóvel, "plantado" na cidade. Assim sendo, o fato do nome dele ser o de uma flor não foi por acaso, não é verdade?

    A temática das plantas é bastante trabalhada no enredo do livro. As flores do jardim dos Caramunhoz fazem contraponto aos inços do jardim de Caetana, mostrando que há plantas delicadas, que demandam toda a sorte de cuidados e fraquejam à menor intempérie, e há outras plantas que, na sua feiura e teimosia, resistem a tudo. O personagem Lírio é como uma planta frágil, a flor dileta que Rosaura Caramunhoz mantém numa cúpula de vidro.

    Porque a opção de finalizar a história quando ela atinge seu clímax?

    Preferi que a imaginação do leitor se encarregasse de dar continuidade à história. Sei que o final deixa uma série de perguntas no ar, e há até quem tenha me pedido para escrever um Sanga Menor II. A minha resposta é não. Esse final que se abre num leque de várias possibilidades é o presente que eu quis dar ao protagonista: ele será livre, enfim, para decidir seu destino.

    detalhes

    Sanga Menor, de Cíntia Lacroix
    Saiba mais sobre o livro no site da Dublinense Editora

    autor

    Priscila Armani é jornalista e apaixonada por cultura. Ela escreve sobre cinema, artes plásticas e teatro. Siga-a no Twitter.  - Leia outros textos de

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