• Não Empreste Livros

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    É preferível trancar alguém num cômodo do que emprestar o livro querido e correr riscos

    Existe uma lei mundial não oficializada que pouca gente respeita. Ela diz claramente: Jamais empreste seus livros a ninguém. NINGUÉM. Não importa se essa pessoa for seu melhor amigo do mundo e encontrar com você todos os dias na faculdade ou for seu vizinho de porta ou ex-irmão siamês.

    Não é aconselhável nem mesmo emprestar ao cônjuge, ou outro indivíduo que viva na mesma residência que você. Isso me faz lembrar uma cena do meu filme preferido do Woody Allen. Em português a tradução ‘esfaquiante’ do título é Noivo Neurótico, Noiva Nervosa. Mas prefiro chamar do nome original mesmo, que é Annie Hall. Quando o interessante casal formado pelo Woody e a então lindíssima Diane Keaton resolve se separar de vez, eles têm grande dificuldade em estabelecer quais livros pertencem a quem. A espertinha da Annie escreveu o nome dela em quase todas as obras, provavelmente prevendo o exato momento da divisão de tão significantes bens.

    Como eu não sou muito adepta do movimento seguidor de regras, minha prateleira está seriamente desfalcada. Eu só quis ser a boazinhuda do momento e promover o crescimento literário dos meus amigos e conhecidos. Ler é importante, porra! O Ministério da Cultura devia fazer uma campanha usando a frase anterior como slogan. Ou não. Mas eu gostaria de soltar um grito para que todos os culpados desse Brasil tomem vergonha na cara e devolvam os livros que não lhe pertencem!

    E é claro que esse apelo estende-se também a outros objetos culturais. Exemplo: CD’s, filmes, antiguidades raras e pinturas valiosas datadas do renascimento.

    A sugestão é, caso um ente querido queira muito se beneficiar de alguma leitura que faça parte da sua preciosa coleção, não hesite em sem gentil. Entregue o livro a ele(a), tranque-o(a) em algum cômodo confortável e diga: “Quando terminar você grita”. Vá então pedir uma pizza, ver futebol na tv ou tomar um longo banho de banheira com sais aromáticos.

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    Jornalista, apaixonada por cultura, viagens e literatura. Tem vários cachorros. É cosmopolita e também apreciadora da natureza. Se considera cidadã do mundo e quer sempre conhecer mais sobre diferentes culturas e opiniões. Siga no Twitter ou visite seu blog, Ótimas Mentiras. - Leia outros textos de

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