A Fase Azul de Marcondes
Por: Caio Campos, em Literatura, Review | Nenhum comentário

Editora Multifoco lança o primeiro livro do publicitário Luiz Marcondes, A Fase Azul. Confira entrevista com o autor
A editora Multifoco lança, nesta sexta feira, dia 13, o primeiro livro do publicitário Luiz Marcondes, A Fase Azul, em coquetel na Livraria da Vila, Jardins, São Paulo.
É um relato melancólico, mas jovem. Um livro auto-biográfico dos anos de 1990. O título também faz alusão a fase da obra de Picasso. Marcondes garante que não pretende resgatar nada desses anos vividos, “As minhas célebres bebedeiras nessa década passada aposentei de vez. Perdi o prazer e o interesse por tudo aquilo”, relata o autor.
Leia a entrevista completa:
Qual a ligação que você faz de literatura e música?
Eu leio pouco e BEM, costumo dizer. Se me apaixono por um livro, ou mesmo por um conto, eu o releio obsessivamente, estudo aquilo até fagocitar o estilo do autor, é como se fosse um processo “antropofágico”, acho aquilo tão bom, tão genial, que preciso comer aquelas palavras, incorporá-las ao meu DNA. A música é algo parecido, que consumo muito, o dia inteiro, porém com maior diversidade. Não são sempre as mesmas quatro ou cinco! A ligação pra mim é meio difícil de estabelecer, na verdade. Acho que se dá por vias misteriosas e subconsciente, melhor nem mexer.
Seu texto é recheado de sexo, drogas, humor e melancolia. Dos quatro, qual é o melhor recheio?
Sexo? Sim, bastante. Drogas? Nem tanto. Aqui e ali. Humor, tem algum, meio sutil. A pegada é mais a da melancolia, algo que não rola muito comigo hoje, por exemplo. Não dá pra dizer qual o melhor recheio. É o equilíbrio desses elementos que faz a coisa ter sabor ou não.
Qual é a característica principal para um livro ser bom?
Isso é MUITO pessoal e pouca gente se dá conta disso. Fica querendo ler o que é bom. Acho que você deve ler o que é bom pra você. Aos seus dilemas, seus conflitos, suas aspirações, o momento que você tá vivendo. É como ter “AQUELA” namorada especial. Por isso acho meio idiota quem lê muito, lê demais, lê tudo, lê o tempo todo. Isso não funciona pra mim. O centauro no jardim, do Moacyr Scliar, por exemplo, Tem todas as caracteristicas de um bom livro para mim.
Qual é a importância do sexo na literatura? E o Humor?
Sexo é importante na literatura, porque é importante na vida. Eu sinto necessidade de escrever sobre certas experiências, mas não a parte visível ou mecânica, o ato, mas o que rola sutilmente na alma. Humor é a válvula de escape do dia-a-dia pra mim. Quando se chega a uma situação contraditória, um beco sem saída do raciocínio lógico, o humor vem pra nos salvar. Pra aliviar, pelo menos.
Seu texto é bem coloquial, é uma maneira que vc escolheu, ou ainda é a melhor forma para se comunicar?
Eu escrevo como se estivesse conversando com você. Me sinto mais verdadeiro e corro menos risco de querer me auto-seduzir soando incrivelmente sofisticado ou alguma idiotice do gênero. É uma questão de honestidade para com o relato, para com o leitor, para comigo mesmo.
Quer usar esse espaço para falar mal de alguém?
De forma alguma. Graças a Deus, minhas raivas são passageiras. É a maior benção que alguém pode desejar. Isso é clichê: “ter saúde”. Mas acredite, é mesmo.
Gostou da Playboy da Fernanda Young?
Não vi ainda! Vi algumas fotos. Como polêmica, acho saudável pra revista, vende. Pra ela também, é isso que ela quer. Como erotismo é bem fraco. Fraquíssimo.
Dos autores novos, da sua época, ja que você é um autor jovem, quem escreve bem hoje?
Mayra Dias Gomes escreve bem. Sou jovem no sentido de novidade, né? Cronologicamente, um “velho” perto dessa moçada, tenho 36.
Fora da literatura, música e das substâncias tóxicas, o que mais te influenciou?
Quadrinhos da Marvel, quando era moleque. Alguns poucos e bons filmes (Apocalypse Now, Drugstore Cowboy, Singles, etc.) . Ultimamente tenho estudado História da Arte. Mas essa é uma influência que talvez só apareça no próximo livro, apesar de este se chamar A FASE AZUL, por causa de Picasso. Enfim, aguardem os próximos capítulos.
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