• O grito dos excluídos

    grito

    Grupo Sombrero de Teatro faz homenagem a Plínio Marcos encenando num mesmo espetáculo três de seus melhores trabalhos.

    Como será que se sentiria o grande autor Plínio Marcos se tivesse a oportunidade de assistir ao espetáculo Grito!, da Grupo Sombrero de Teatro? Acredito que ele gostaria, porque a peça consegue, de maneira profunda e emocionante, captar tudo aquilo que ele sempre quis que estivesse presente em seus espetáculos.

    A crítica social, a reflexão, a revolta, tudo está lá. Três das mais conceituadas obras de Plínio (Querô – Uma reportagem maldita, O abajur lilás e Navalha na carne) se fundem num único enredo, num único ambiente, possibilitando aos personagens já conhecidos contar uma história diferente.

    Grito! passa-se em um bordel e conta a história do menino Querô. Filho de uma prostituta, já no começo de sua vida aprende que não pode contar com ninguém nesse mundo – é um adolescente pobre e órfão, que vive sozinho, achando-se dono do próprio destino.

    Querô não se dobra à disciplina opressora do reformatório, ao jogo do tráfico de drogas nem aos policiais corruptos que o perseguem. Paga, por isso, um preço muito alto, travando uma luta desesperada contra a violência que teima em dominar seu destino.

    Os personagens debatem-se em relacionamentos frágeis que se rompem conforme os interesses imediatos e o isolamento provocado pela exclusão social.

    A peça dá voz aos “excluídos”, que nos esforçamos por ignorar, e eles não perdem a oportunidade de gritar suas dores e conflitos para que possamos, finalmente, escutá-los.

    detalhes

    O Grito!
    Grupo Sombrero de Teatro - Cooperativa Paulista de Teatro
    Em cartaz até 15 de novembro
    Teatro Irene Ravache
    Rua Capote Valente, 667 – Pinheiros
    Informações: (11) 3081-5493

    autor

    Priscila Armani é jornalista e apaixonada por cultura. Ela escreve sobre cinema, artes plásticas e teatro. Siga-a no Twitter.  - Leia outros textos de

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