• Credores, do Grupo Tapa

    credores

    Credores fala de amor e ódio. Mostra até que ponto uma alma ferida pode endurecer o coração e desejar vingança

    Um homem abandonado, Adolfo, faz de tudo para atrapalhar o atual casamento de sua ex mulher, Tekla, com Gustavo, um artista frágil e inseguro. A ação se passa num hotel e a cada momento o relacionamento do casal, já em crise, fica mais complicado. Num primeiro momento não é mostrado ao público a identidade de Adolfo, só dá a atender que é um amigo ou conhecido de Gustavo que tenta a todo custo mostrar que Tekla não é uma mulher confiável.

    Credores é uma adaptação da obra de August Strindberg, que no ano passado foi encenada também pelos atores Reynaldo Gianecchini, Maria Manoella e Erik Marmo, sob direção de Elias Andreato.

    Apesar da obra ser a mesma, não é possível fazer comparações. As adaptações e encenações são distintas e cada uma possui qualidades específicas.

    No caso de Credores, Tolentino sempre dá espaço para que o diálogo e a interpretação dos atores sejam o centro das atenções. Cenário, trilha, luz e figurino estão totalmente a serviço do texto e da interpretação. No palco, basicamente alguns bancos que se movem de acordo com as cenas.

    Os diálogos são fortes e o elenco merece elogios. Sergio Mastropasqua e José Roberto Jardim fazem os seus personagens Adolfo e Gustavo com vigor. Estão entre os grandes atores brasileiros. Chris Couto, por sua vez, também tem um bom desempenho.

    Acompanho especialmente a trajetória de Jardim, integrante do grupo de teatro Os Fofos, e o ator a cada trabalho mostra que merece o reconhecimento que tem conquistado ao longo de sua carreira. Tive o privilégio de assistir a todos os seus trabalhos com o Grupo Os Fofos e diversas participações em espetáculos, entre eles: Recordar é Viver, Na Cama Com Tarantino, O Encontro das Águas e Da Possibilidade da Alegria no Mundo.

    Sergio Mastropasqua atuou em peças como Hotel Lancaster, Cândida, A Mandrágora, A Falecida e sempre com um desempenho marcante. A atriz Chris Couto, por sua vez, atuou em A Mandrágora, As Raposas do Café, As Mulheres da Minha Vida e Ligações Perigosas, trabalhos que tive a oportunidade de conferir.

    O Tapa está entre os grupos mais conhecidos e respeitados da cena cultural paulistana. Investe em textos clássicos da dramaturgia brasileira e estrangeira e merece atenção de quem aprecia teatro. Num país em que viver de arte é complicado, o Tapa conquistou público cativo e coleciona inúmeros sucessos, como A Importância de Ser Fiel e Camaradagem.

    Mais de: Artes Cênicas, Destaques, Review

    Assuntos relacionados: ,

    detalhes

    Credores

    Texto: August Strindberg Direção e tradução: Eduardo Tolentino de Araújo Elenco: Chris Couto, Sergio Mastropasqua e José Roberto Jardim. Participação de Conrado Sardinha.

    Local: Viga Espaço Cênico (74 lugares) Tel.: (11) 3801-1843. São Paulo/SP Endereço: Rua Capote Valente, 1.323 (Próximo ao metrô Sumaré) Horário(s): quinta a sábado, às 21h30; domingo, às20h Preço(s): R$ 40,00 (inteira) - R$ 20,00 (meia) Classificação: 14 anos. Duração: 60 minutos Temporada: 12 de janeiro a 19 de fevereiro de 2012

    autor

    Historiadora e estudante de jornalismo. Apaixonada por cultura, pesquisa e escreve sobre teatro desde a década de 90. - Leia outros textos de

    Deixe seu comentário






    (*)campos obrigatórios.

    Editorias

    A POP4 é uma revista de crítica de cultural e entretenimento. Surgida a partir do projeto Opperaa - 2008