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    Tudo Pelo Poder

    Tudo Pelo Poder, quarto filme dirigido por George Clooney, traz Ryan Gosling em atuação surpreendente

    O que mais deixa a gente boquiaberto em Tudo pelo Poder é Ryan Gosling. O elenco do filme é todo estelar: Marisa Tomei, Philip Seymour Hoffman, Paul Giamatti, George Clooney (que também dirige o filme), mas deles é natural esperarmos uma boa atuação. Eles são bons em tudo o que fazem. Gosling, até então, tinha tido poucas oportunidades de mostrar trabalhos mais sérios, sendo o mais notável deles em Namorados para Sempre. (Quem aí sabia que ele já foi indicado ao Oscar em 2006?) Que fique claro: ainda não assisti Drive, que dizem ser uma de suas mais memoráveis atuações.

    Em Tudo pelo Poder, o “queridinho de Hollywood” do momento consegue “segurar a onda” de uma maneira muito digna e, porque não, surpreendente. Seu personagem, Stephen Meyers, é um dedicado assistente de uma campanha às primárias democratas nos Estados Unidos. O candidato, Morris (Clooney), lembra incomodamente Obama, tanto em seu discurso quanto na identidade visual de cartazes e material de divulgação. É óbvia a crítica à atual administração, mas, acima de tudo, a crítica à política como um todo, por sua estrutura que, no final das contas, não permite a ninguém fazer o que deseja sem ceder alguma coisa. Mesmo os mais bem intencionados acabam se “contaminando”, pela necessidade contínua de fazer “acordos”. E esse é um problema mundial, sem perspectivas de solução.

    Para quem não conhece tão bem as estruturas das confusas eleições norte-americanas (meu caso), todo o “debate” dos personagens em torno de democratas e republicanos se perde. O porquê de determinados estados serem estratégicos para as prévias eleitorais também fica um pouco nebuloso. É um filme muito “bairrista”, de um norte-americano para seus compatriotas. Fica claro o que Clooney quer: acordar os eleitores para algumas coisas óbvias. E nos relembrar, talvez, de como todos nós somos humanos, demasiadamente humanos. Ingênuos. E também bastante sujos, especialmente quando se trata de salvar a nossa própria pele.

    Acho que é por isso que a política é tão problemática. Porque quem a faz somos nós. E somos imperfeitos. Então ela sempre será assim, meio manca, como a gente.

    Tem muitos diálogos lindos, esse filme. E cenas bem marcantes. Clooney achou o tom certo. Aquela cena em que ele e Gosling estão na penumbra, na cozinha de um restaurante, é um primor. E quando o assistente diz ao governador que ele “infringiu a regra” e ele nos “conta” qual regra é essa, confesso que quase chorei de tanto rir. Tão óbvio. Previsível. Mas genial.

    Achei interessante Leonardo Di Caprio ser um dos produtores executivos do filme. É apenas um detalhe. Mas achei peculiar.

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    Priscila Armani é jornalista e apaixonada por cultura. Ela escreve sobre cinema, artes plásticas e teatro. Siga-a no Twitter.  - Leia outros textos de

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