Let’s Go Eat The Factory, do Guided By Voices
Por: Salomão Terra, em Destaques, Música, Review | Nenhum comentário

Depois de oito anos sem lançar discos, o Guided By Voices volta à cena com seu 16º álbum de estúdio, Let’s Go Eat the Factory.
Para quem não conhece, a banda é um dos maiores ícones do rock independente garageiro nos EUA. Guiada por Robert Pollard, teve inúmeras formações (muito devido ao temperamento de seu frontman) que contaram até com o escritor James Greer, Jim Macpherson (The Breeders) e Doug Gillard (Nada Surf). A formação atual, com Mitch Mitchell (guitarra), Greg Demos (baixo), Kevin Fennel (bateria) e Tobin Sprout (multinstrumentista) é considerada “clássica”, pelo período de 1993 a 96, quando tocaram juntos e a banda teve ampla projeção.
Com experimentações de sons e pessoas, o Guided By Voices tem um estilo muito heterogêneo, único e sem rótulos. Let’s Go Eat The Factory reflete isso, com canções que vão de um pós-punk seminal, passando pelos anos 90 até um indie rock moderninho. E não, não soa forçado ou desconfortante. Soa autoral, próprio e instigante.
Laundry and Lasers é a faixa de abertura. Bem suja e com uma progressão simples, foi produzida em lofi e é um daqueles cartões de visita que faz – precipitadamente – você afirmar que o disco será sensacional. The Head é estranha, com dissonâncias e um descapricho intencional. Como segunda faixa, mostra que o GBV não se preocupa com lógicas e padrões comerciais em seus trabalhos.
Mais à frente Spiderfighter é um indie rock clássico, com guitarras sujas, bastante energia e um desfecho com pianos. Hang Mr. Kite é única. Instrumentos de música clássica dão um ar meio Peter Gabriel. É um dos pontos altos do disco. Imperial Racehorsing é como uma trilha sonora de thriller urbano. Chocolate Boy é uma balada pop, forte. Para encerrar, We Won’t Apologize for the Human Race parece um daqueles rocks progressivos da década de 60, como um disco tocado ao contrário.
Enfim, resumir as 21 faixas, e enquadra-las em um único gênero, seria tarefa praticamente impossível. A verdade é que Let’s Go Eat The Factory passeia por texturas e sonoridades tão diversas quanto possíveis. Digno pela composição envolvendo membros de uma formação tão elogiada, e pelo vigor de uma banda com quase 30 anos de vida.
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