Consumismo intelectual
Por: Renata Ferri, em Colunas, Literalmente | Nenhum comentário

Livros são ótimos presentes. E, atualmente, gostar de ler pode ser comparado com um número de contorcionismo mental. Tipo aquele cara do circo que consegue se contorcer e caber dentro de uma caixa minúscula e ficam todos maravilhados: “ohhhh”. É a mesma coisa com a leitura: “Você viu ela? Ela lê vários livros. Quanto termina um, vai lá e começa outro!” e a platéia: “ohhhh”.
Tá certo que tem gente que se empolga com tamanha reverência vinda dos seres normais não admiradores da literatura a ponto de até mesmo afirmar que gosta de James Joyce. A pessoa diz, “meu livro preferido é Dubliners”, e já sai dando tchauzinho de miss para a multidão em êxtase.
Mas, mesmo que a cotação da leitura esteja em baixa, livros ainda são ótimos presentes. Para os que gostam da marginalidade e nunca (como não?) leram Allen Ginsberg. Para os amantes da doce realidade que só pode ser encontrada com Adélia Prado. Para os que deliram com a comédia nonsense no Woody Allen, e não sabem que ele tem um livro sensacional chamado Sem Plumas. Até mesmo o meu pai, um cara que não lê nem legenda, ganha livro sobre facas no Natal.
Outro dia assisti a um antigo episódio do seriado Seinfeld e a ideia maluca do personagem Kramer era criar um desses livros que ficam em mesas de centro pras visitas ficarem folheando quando estão entediadas, sabe? E o tema do livro seria as próprias mesas de centro, diversos designs, estilos, histórias. Se ele existisse eu ia querem ter com certeza. Metalinguagem aplicada à mobília.
Uma livraria é o lugar perfeito para você fazer compras. Com certeza vai achar algo que interesse a cada um dos seus amigos e familiares. Bíblia, guia turístico, dicionário, Guimarães Rosa, tem gosto pra tudo. Afinal, cada um tem o livro que merece.
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