• Nyanga

    nyanga

    Conto produzido por Eduardo Quive conta a história de um nyanga que deve, com a ajuda dos antepassados, escolher uma mulher para o rei.

    E diante da multidão se expressara o curandeiro que se considerara ideal para o adivinhamento daquela que seria a virgem sagrada. A virgem que salvaria Nkomane do Deus me livre que vivia. O nyanga, fora das preferências confiadas pelo rei. Tal confianças, justificavam-se pela vinda deste de terras desconhecidas, associando-se a sua origem a coisa de deuses do além.

    De facto o nyanga não tinha feições familiares e estava de requisitos completos para a nobre cerimónia da escolha da sacrificada donzela. Era Nguni. Alimentado pelos espíritos da água.

    Expostas, estavam as mulheres cercadas por outras multidões que por decreto, tinham que presenciar o escândalo de pele nua que se assistia.

    Foi dada a ordem para que o nyanga fembasse. Começou bebendo a água dos defuntos. Depois navegou em instantes de silêncio profundo, justificados pelo seu assistente, Malaquias, como um momento de solenidade entre o nyanga e espíritos celestes. Dali, sairia a verdade com os poderes dos deuses mais fiéis a ele. Estes que o conferiram o poder supremo dos adivinhamentos.

    O silêncio prevalecia na tribuna de honra, rei Ngonhama, régulo Kuhanya, e outros homens conselheiros reais. A ansiedade entre os espectadores era maior, mas ninguém ousava entrar em conversações com o vizinho. Apenas monólogos.

    O que será que faz ele ali calado de cócoras coberto do manto sagrado?

    As suas mãos estremecem e os olhos transformados em bolas de neve… será que ainda vive?

    E quem será a tal donzela que salvará este Deus me livre o infortúnio maligno.

    Não mais queremos que se repita o fim que presenciamos, sem mais algo por fazer, por isso, se este nyanga vai mesmo encontrar tais espíritos que os encontre logo e saímos desta pouca vergonha instalada em plenos olhares das crianças.

    Mulheres deste tamanho não deviam enudecer-se em frente de homens desconhecidos, só e só para achar uma ‘única rapariga?

    E não se sabe que estas mulheres já se distanciam de tal donzelisse?

    Quero só ver…

    Lá vai o homem acordando do além que navegava. quem será a tal!

    E o nyanga finalmente volta a terra. De olhos transladados para horizontes terrestres corre sem destino. Cospe inverdades e vibra de suficientes energias espirituais. Vai se saber já agora quem é a donzela. O nyanga vai fembar! Vai Adivinhar.

    Agita-se para o lado do norte. Todos agora ficam de mãos na nuca. Todos – a plateia composta por homens em olhares à mulheres nuas. Norte em tradições destas terras não tem nada de sagrado. Apercebe-se o nyanga. Volta para o sul, mais para o lado direito e esquina-se numa mulher de idade avançada, do lar dos sessenta. O povo agita-se de susto.

    - Como pode?

    - Afinal não se está a procura duma donzela?

    - Mas esta mulher está já cansada de dar filhos.

    - De onde é este nyanga?

    Todos resmungavam sob olhar ainda impávido do rei que depois ordena.

    - Silêncio. Deixem o homem fazer o seu trabalho.

    Calam-se os gritos da multidão, mas os murmuros, esses não foram possíveis de parar. E o rei volta a discursar.

    - Silêncio. Com certeza não será esta a donzela. – Ordena para mais uma tentativa.

    E o nyanga, mesmo fora de si, volta a simular delírios, desta vez mais convincentes, corre sem parar.

    Cai. Para o espanto de todos ficara escolhida Nikotile. Pelo menos desta vez, a multidão conteve o susto, seria uma escolha justa. Nikotile, era nova e já mais se soubera do seu envolvimento com um homem, no entanto, já não era virgem.

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    Escritor novato (sem nenhuma livro publicado), jornalista, actor, activista de direitos humanos e HIV/SIDA. Residente de Matola, na província de Maputo, em Moçambique. Jornalista do Escorpião, um jornal nacional. Fundador do Movimento Literário Kuphaluxa, sedeado no Centro Cultural Brasil – Moçambique. Escreve e preferencialmente identifica-se com contos, crónicas, monólogos e poesia. É administrador e editor de dois blogues de literatura moçambicana pertencentes ao Movimento Literário Kuphaluxa, (Kuphalaluxa  e Revista Literatas). Identifica-se, igualmente, com os pseudónimos, Cruz Salazar e Xiguiana da Luz. Blogues pessoais: Noites D'alma e Quivismo. - Leia outros textos de

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