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    Claudia Schroeder – Leia-me toda, novo livro de Claudia Schroeder, é poesia para todos os sentidos

    Publicado em dezembro de 2010 pela Dublinense, o livro Leia-me toda é uma oportunidade para conhecer a poesia de Claudia Schroeder, escritora, artista plástica e publicitária gaúcha, já premiada em alguns concursos literários nacionais. O livro reúne 60 poemas que refletem a formação plural de Schroeder – que também é compositora – ao desenvolver uma experiência de exploração sensorial pela escrita.

    Se da música a poesia em Leia-me toda se aproxima pelo ritmo, pelo tema, a escritora vai produzir imagens e aproximar o leitor de um universo sensual, que explora o toque, o cheiro e o sabor do dia-a-dia. Além disso, há também forte presença da poesia epigramática, da qual se evidencia a influência de Mario Quintana, explicitado pela autoria dos versos escolhidos como epígrafe, e também de José Paulo Paes que, embora não citado, é mestre do gênero, sempre com sutis ironias, críticas e humor no uso das palavras.

    A citação introdutória de Quintana, “Como dar vida a uma obra de arte/ A não ser com a própria vida?”, manifesta o tom confessional da obra filtrado pela sensibilidade da escritora ao evocar a poesia presente nos elementos que compõem o cenário cotidiano na aparente simplicidade da vida. Já nos poemas curtos, revela-se a habilidade da autora de chegar com poucas palavras a uma conclusão espontânea, a partir da subjetividade das correlações entre significados. Por isso a lembrança de José Paulo Paes, que é possível demonstrar nos versos de Desejo, de Schroeder, “Desejo-te tanto/ que te desejo nada”, paradoxo que inevitavelmente remete à conclusão presente em Auto-epitáfio no 2, de Paes, “para quem pediu sempre tão pouco/ o nada é positivamente um exagero”.

    O destaque da poesia de Claudia Schroeder estaria justamente nessa capacidade de perceber o poético do cotidiano e, assim, criar aforismas provocativos que conduzem a esse novo olhar que desvela o banal. A exploração dos sentidos, a recorrência ao amor, não ao ideal, mas àquele presente no corpo, e o convite ao tato e demais sentidos talvez surjam dessa necessidade de ir além do mundo em que vivemos para explorar o mundo que sentimos, como no poema Boca: “A saliva é uma água morna/ cheia de sabores alheios/ e instigantes./ Lá tem os beijos de ontem:/ o gosto insosso do esposo/ o sabor adocicado do amante.”

    Há também em Leia-me toda certa disparidade entre os poemas, já que muitos parecem apenas ocupar um espaço intervalar entre aqueles que realmente se destacam pela qualidade poética. Nesse sentido, é possível dizer que a sequência da obra está bem equilibrada devido à alternância de pontos altos e baixos, evitando a concentração do fôlego poético, o que poderia levar ao esfriamento da leitura, tornando-a lânguida e sem surpresas. Isso não exime, no entanto, a presença de poemas ingênuos, cuja inocência rítmica e rímica resulta em inconsistência ou numa noção primária de composição poética.

    Se a reflexão sobre o espaço editorial da literatura contemporânea é algo que leva a crítica literária a inúmeras discussões, como a exaustão do romance e o esgotamento da ficção, o que dizer então do lugar da poesia produzida por escritores que ainda caminham com suas primeiras publicações? Após tantas rupturas de forma e conteúdo pelas quais passou a literatura e frente a um futuro obscuro e uma crítica intolerante, qual seria a justificativa para seguir publicando novos poetas? Leia-me toda, de Claudia Schroeder, responde a essas questões ao convidar o leitor para uma experiência poética válida, e a poesia que desperta os sentidos, em um país com níveis de leitura obscenos, um ensino básico desmoralizante e um mercado editorial limitado, não precisa se justificar.

    detalhes

    Leia-me toda, de Claudia Schroeder
    Saiba mais sobre a obra no site da Dublinense

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    Anda perdido pelos caminhos da ficção, tem ideias subversivas, ânimo incerto e um relacionamento aberto com o Cinema, as Letras e a Comunicação. Gosta de vozes femininas e imagens escondidas. Erra com as palavras e não raramente tropeça numa verdade. É jornalista e mestrando em Teoria da Literatura. - Leia outros textos de

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