• Jules e Jim, uma mulher para dois

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    François Truffaut – Jules e Jim, um clássico de François Truffaut

    A recomendação do Cinerama de hoje é um DVD raro de achar em locadoras, mas que vale a pena procurar.

    Jules e Jim, dirigido por François Truffaut, é um dos poucos filmes realizados com a preocupação de ser fiel ao livro que lhe deu origem. Nos dias de hoje, poucos sequer sabem que o filme teve origem num livro. A obra, cheia de força, acabou adquirindo seu próprio status.

    Feito em 1962, o filme abordou de forma bastante polêmica para a época o tema do triângulo amoroso. O alemão Jules (Oskar Werner) e o francês Jim (Henri Serre) são dois grandes amigos. Lutaram de lados opostos na Primeira Guerra Mundial, mas nem assim deixaram de manter contato.

    A amizade dos dois é inabalável até que Jules se casa com Catherine (Jeanne Moreau), uma mulher de gênio inconstante; bela, porém maluca. Jim acaba se apaixonando por ela também e os três acabam vivendo, durante algum tempo, na mesma casa, num relacionamento a 3 bastante chocante para aqueles que ainda não tinham vivido a era de “Paz e Amor” dos hippies, que aconteceria na década de 70.

    Catherine não sabe o que quer. É a típica indecisa, que fica fazendo os dois amigos de capacho. Jules é um homem extremamente submisso, quer ficar com a mulher a qualquer custo. Em certo ponto, Jim se cansa da situação, mas a egoísta e bipolar Catherine fica bastante aborrecida em ter de escolher entre os dois.

    A mulher é realmente maluca. Na cena mais famosa do filme, ela se veste de homem e aposta corrida com os dois numa ponte. Essa cena até inspirou o clip da música Kiss Me, do grupo Sixpence None The Richter. Em outra parte do filme, ela se joga num rio, tentando se afogar. Mas, ao invés de aborrecer, seus rompantes conseguem divertir o público, que fica na expectativa do que a personagem vai aprontar. Esse filme é o ponto alto da carreira de musa de Moreau, na época namorada do diretor.

    O jeito de Truffaut filmar é único, com uma montagem bastante peculiar, narração constante em off, além de congelar alguns frames na tela, para mostrar uma idéia ou provar um ponto de vista. O final nos deixa bem atordoados, supresos e chegamos a achá-lo idiota. Faz um pouco de sentido. Mas para você saber do que cargas d’água estou falando, só assistindo mesmo.

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    Priscila Armani é jornalista e apaixonada por cultura. Ela escreve sobre cinema, artes plásticas e teatro. Siga-a no Twitter.  - Leia outros textos de

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