• Fitzcarraldo e a loucura de Werner Herzog

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    Fitzcarraldo – Um épico do cinema filmado na Amazônia e com boas doses de loucura

    A dica de DVD de hoje para vocês é coisa de maluco. Maluco mesmo, o diretor do filme, os atores, todo mundo! O filme é Fitzcarraldo, de 1982, e foi em parte realizado em Manaus, no Brasil.

    Fitzcarraldo é, acima de tudo, um épico. Não tanto por causa do enredo que, se pararmos para pensar, é bem idiota. Mas a trajetória mostrada no filme é muito emocionante, especialmente porque ela aconteceu de verdade!

    Dirigido e roteirizado por Werner Herzog, um dos grandes nomes do cinema alemão, Fitzcarraldo é a história de Brian Sweeney Fitzgerald, um maluco que sonha em construir no meio da Amazônia Peruana um teatro de ópera. Ele é fã de Caruso, grande intérprete de ópera e tenta ganhar dinheiro dos jeitos mais inusitados para poder bancar seu caríssimo sonho.

    Curiosidade é que o próprio diretor do filme era fã de ópera. E o ator Klaus Kinski e o diretor brigaram durante todo o tempo das filmagens. A relação de amor e ódio dos dois foi, inclusive, motivo do documentário Meu Melhor Amigo, que muitos anos depois foi realizado pelo diretor.

    Kinski tinha um gênio extremamente difícil (os índios que participam do filme chegaram a se colocar à disposição do diretor caso ele quisesse a morte do ator). Isso, somado a um roteiro praticamente impossível de executar, filmagens longas e cansativas e até mesmo mortes torna Fitzcarraldo um filme que merece destaque até mesmo por ter acontecido!

    Nele vemos um barco a vapor subir um rio cheio de índios canibais em busca de uma terra que Fitzcarraldo comprou para explorar borracha e bancar seu louco sonho. Quando ele chega em determinado ponto, ele revela à sua tripulação o plano: fez o caminho contrário do normal, para evitar as fortes correntes de água. Para chegar ao destino, ele irá levar o barco por cima de uma montanha, arrastando-o por terra, até chegar a outro rio, do outro lado!

    Impossível? Nada disso! E o pior: não tem efeito especial nenhum! Aconteceu de verdade! Eles desmataram árvores imensas para poder passar o barco por cima das montanhas. Imagina se o Greenpeace fica sabendo disso na época???

    Vale a pena assistir o filme também por causa das geniais atuações de José Lewgoy como Don Aquilino, Grande Otelo, como o doidinho da estação de trem, e Milton Nascimento, como porteiro do Teatro de Manaus. Eles fizeram apenas pequenas pontas no filme, mas estão excelentes!

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    Priscila Armani é jornalista e apaixonada por cultura. Ela escreve sobre cinema, artes plásticas e teatro. Siga-a no Twitter.  - Leia outros textos de

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