• Amor à Flor da Pele, de Wong Kar-wai

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    Wong Kar-wai – Em Amor à Flor da Pele, um retorno à Hong Kong da década de 60

    “Amor à Flor da Pele“, dirigido por Wong Kar-wai, é um filme para aqueles que gostam de uma narrativa mais lenta e reflexiva. A produção, do ano 2000, faz uma excelente reconstituição de época, nos levando de volta à década de 60 e a uma Hong Kong cheia de problemas. A fotografia usa luzes de cor amarela, para ressaltar o estado de desolamento dos protagonistas.  

    A Revolução Cultural na China mexeu com a vida de muitas famílias. A do próprio diretor do filme, por exemplo, saiu de Xangai nesse período. O inchaço populacional combinado à situação econômica fez com que muitas pessoas precisassem alugar quartos em casas de outrem. E é justamente em torno de dois casais que sublocam quartos em apartamentos vizinhos que é construída a história do filme.

    A trilha sonora contribui para criar uma atmosfera de desejo contido, essencial para que a obra funcione. Cada canção ou tema é tocado diversas vezes durante o filme, principalmente “Yumeji’s Theme”, composta  por Michael Galasso e que envolve o espectador, chegando a nos dar uma falta de paciência inevitável.

    Impossível deixar de falar mais daquela que é a grande atração do filme: a fotografia. Christopher Doyle deixa os planos magníficos e dá sentido poético às ações mais banais, como, por exemplo, Chan descendo e subindo uma escada, colocando os chinelos, usando vestidos fantasticamente coloridos e Chow acendendo um cigarro ou correndo na chuva, com o terno molhado.

    Amor à flor da pele é, acima de tudo, poesia e irá frustrar aqueles que estiverem na expectativa de uma grande aventura romântica, cheia de emoções. O filme é linear, sempre mais do mesmo, mas Wong Kar-wai consegue contar essa história de maneira a ela se tornar um grande clássico.

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    Priscila Armani é jornalista e apaixonada por cultura. Ela escreve sobre cinema, artes plásticas e teatro. Siga-a no Twitter.  - Leia outros textos de

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