• SWU, twittadas e consumo

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    dotArt – SWU 2010, não fui, mas comprei e experimentei!

    Eu não fui ao SWU. Ok, sob alguma perspectiva, a de não ter acompanhado o show de bandas que tenho relativa admiração, me sinto frustrado, mas sob inúmeros outros pontos, talvez tenha levado a melhor. Ou não?

    Embora não tenha ido até lá, meses antes do festival, quando tudo ainda era especulação, acompanhei rumores e a composição do inacreditável headline. Aos poucos foram surgindo informações oficiais, como bandas confirmadas, local e preço do ingresso. Neste meio tempo, a temática da sustentabilidade veio à tona.

    Por outro lado, a comunidade virtual se movimentava, e a cada novidade, um novo buzz surgia. Combinação perfeita: jovens (com acesso à internet) que consomem música prioritariamente através de compartilhamento de arquivo acompanhando em um habitat natural as notícias de um dos mais promissores festivais da última década.

    Sem entrar na experiência empírica, acredito que acompanhamos um momento generoso no ponto de vista da vivência de um evento deste porte. Sendo mais claro, ao contrário de outros festivais, onde as historietas chegavam aos nossos ouvidos a partir de um relato de quem lá esteve, no SWU tudo foi registrado em infinitas twittadas, posts, fotos e etc enquanto o evento acontecia.

    Se você, assim como eu, não esteve presente na famigerada fazenda Maeda (pela net conheci o local, ao que parece sedia outros grandes encontros), mas se interessa pelo assunto (e obviamente pelos shows de Yo La Tengo, Mars Volta etc, já para entregar algumas preferências), deve estar cansado de saber sobre os problemas com: transporte de volta no primeiro dia, falhas no som do RATM, preço dos alimentos, a pilha de comida na entrada, falta de informação, entre outros. Isso sem esquecer da já mencionada cobertura real time de alguns maníacos por internet, que com seus aparelhos celulares enviavam de lá mesmo as notas sobre cada passo em meio à multidão.

    Tudo parece meio natural, mas, ao mesmo tempo, parando pra pensar, o SWU – ou pelo menos o que foi dito sobre ele – representa um pequeno marco nesta história de comunidade e música. Sim, se por um lado foram vários os excluídos presenciais, por outro uma parcela bem maior foi brindada com a oportunidade de “acompanhar” em sua quase totalidade as aventuras e desventuras.

    Este fato se torna ainda mais relevante se pensarmos que o tema da sustentabilidade (tão pregado pela organização do evento) foi contraposto por milhares de usuários (que foram ou não até lá), e que ao final questionaram uma postura aparentemente incoerente com as ações reais.

    Assim, deixando de lado a importância de uma iniciativa deste porte (como trazer bandas que raramente viriam ao Brasil para um único show de fim-de-semana), o SWU mostrou também que, à sua maneira, a internet é um espaço “real” para um público crítico que começa a se formar e, também à sua maneira, exige a oportunidade de consumir – arte ou não – produtos e opções correspondentes ao discurso virtual.

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