Deus é um preguiçoso sem ambição
Por: Caio Campos, em Colunas, Dublês de Poetas | Nenhum comentário

Essa frase é do meu pai. Quando eu era criança trabalhava com meu velho de segunda a segunda numa banca de revistas – agradeço à Editora Abril por todo meu conhecimento filosófico, que as vezes uso diante do espelho. Nessa época pedi ao meu progenitor que me desse um dia de descanso durante a semana. Dei a argumentação que até Deus descansou no sétimo dia, mas meu pai não aceitou e replicou: “Deus é um preguiçoso, sem ambição”.
E é verdade. Nem que Deus não fosse tão preguiçoso assim. Mas convenhamos, Ele foi pouco criativo. Pudera, como alguém criaria algo que prestasse no mundo sem referências como as de Shakespeare, Bach, Goethe, Sócrates, Homero, Da Vinci e Beatles? Tudo que ELE criava, achava logo bom e não editava nada, deixando sempre pela metade. Tirando a mulher, Deus fez poucas coisas realmente bonitas e perfeitas. Esse lance de mar, lua, joaninhas, borboletas, passarinhos e arco-íris, foram as maiores cafonices que Deus já inventou.
Pense bem como Deus é antiestético e pouco imaginativo. O Divino criou apenas quatro estações, apenas quatro elementos, cinco sentidos e três dimensões. O estado natural das coisas é a manifestação total de tédio e apatia. Em contrapartida, nós, seres humanos, aperfeiçoamos e lapidamos tudo em nossa volta, com arte ciência e filosofia.
Meu pai é um tipo de Deus para mim, continua trabalhando de segunda a segunda, acreditando que algo pode melhorar.
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