Everything in Between, a busca pela maturidade do No Age
Por: Lucas Jardim, em Música, Review | Nenhum comentário

No Age – A dupla mais boa-praça de Los Angeles chega a um terreno sonoro expansivo em terceiro disco.
De uma maneira similar à cena independente do nordeste brasileiro, o underground de Los Angeles está numa luta mesopotâmica para quebrar certos paradigmas. Assim como os nordestinos mais avant-garde estão dando um jeito de se livrar do estereótipo dos ritmos tradicionais da região (ou, pelo menos, das amarras estilísticas deles), os californianos estão tentando matar os Beach Boys. Centradas na figura do coletivo artístico mais descolado desse lado da falha da San Andreas (o The Smell) e na contramão do beach pop do Wavves e da Best Coast, bandas como Abe Vigoda e HEALTH criam um noise rock absurdo, calcado na dissonância, que prima pela dinâmica e inventividade.
O que meio que nos traz ao No Age. O duo, com todos os seus ideais de consciência coletiva e arte enquanto construção intelectual (papos cabeçudos, entendam), praticamente personifica a atmosfera do The Smell, o que já lhe ganhou alguns fãs dignos de nota, como Bradford Cox e Colin Greenwood. Tudo isso seria inútil, é claro, se a música deles não correspondesse. De longe a mais pop das bandas do coletivo, o No Age mistura seu experimentalismo com uma pegada noventista bem nostálgica e, nas letras, não alivia no ennui adolescente.
Essa dicotomia fez de Nouns, de 2008, um dos maiores destaques daquele ano e está presente no novo disco da dupla, só que não da mesma forma. Everything in Between expande a sonoridade do maravilhoso EP Losing Feeling, do ano passado, em um álbum completo, carregado de nuances e sutilezas. A produção mais limpa é notada logo na primeira faixa, "Life Prowler", e é capaz de alienar alguns fãs. Se isso não o fizer, o primeiro single, "Glitter", com sua bateria totalmente pop, deve conseguir. Ele é a prova definitiva de que "Eraser" e "Sleeper Hold" não foram acidentes e que realmente o No Age nunca teve medo de ser pop. "Fever Dreaming" e "Shed and Transcend", no entanto, provam que o barulho ainda é a marca registrada da banda, ele só está muito mais etéreo e despido de qualquer nostalgia.
Os momentos mais surpreendentes são os instrumentais: faixas como "Katerpillar", "Sorts" e "Dusted" são minutos de distorção pura e solta, uma representação sonora de uma chuva brilhante de vidro moído. Everything in Between é o som de uma dupla que não consegue conter a própria criatividade. Em entrevistas, a dupla garantiu que o som do novo disco seria "mais maduro, não mais chato". Nada como uma boa descrição, para variar.
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Saiba mais sobre o No Age no My Space da banda.
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