• Mogwai revisita-se com Special Moves e Burning

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    Mogwai – Após 15 anos de existência, banda lança disco ao vivo Special Moves, com live film Burning

    Mesmo orbitando a zona cinzenta dos subgêneros do rock, o post-rock revela, desde meados da década de 90, bandas de qualidade e apuro inquestionáveis. Neste pequeno universo, ao lado de Tortoise e Explosions In the Sky, o Mogwai é referência sagrada.

    Incrivelmente, mesmo com 15 anos de existência e tendo alcançado relativa visibilidade, a banda não tem entre suas gravações registros de apresentações ao vivo. Isto é corrigido agora com a chegada de Special Moves, trabalho que reúne 11 faixas em 1h14 minutos de apanhado geral dos seis trabalhos autorais lançados até então. O disco vem acompanhado de um live film, chamado Burning, que conta com a direção de Vincent Moon (autor  de vários trabalhos em vídeo para R.E.M. e Arcade Fire) e Nataniel La Souanec, tendo registrado apresentações no Brooklyn, Music Hall Of Williamsburg, em abril do último ano.

    Para fãs do gênero, é um prato cheio, sem dúvidas. Grandes e complexas melodias, dinâmicas ricas e guitarras proeminentes (com vocais praticamente inexistentes) fazem valer cada segundo. Aos que ainda não conhecem o Mogwai, a chance é de entender um dos pontos altos do post-rock, as execuções ao-vivo. Não vá esperando momentos de euforia desenfreada, mas sim música para envolver aos poucos, como uma narrativa sonora com início, meio e fim.

    I’m Jim Morrison, I’m Dead abre o álbum com a clássica sobreposição de guitarras. Enquanto temos uma base de harmonia padronizada, sintetizadores e outra com delays exuberantes preenchem o ambiente.
    Mais à frente, Hunter By a Freak é também a faixa de abertura do quarto disco da banda, Happy Songs for Happy People, de 2003, ocasião em que o grupo incorporou ao seu som vertentes mais eletrônicas. Aqui não temos um vocal de fato, mas sim sintetizadores emulando vozes. A música também faz jus às influências oitentistas em atmosfera mais dark.

    Raras são as vezes em que o frontman Stuart Braithwaite aventura-se nos vocais. Sem mostrar que o rótulo de banda instrumental é definitivo, em Cody temos passagens cantadas, mas, diferentemente do que se imagina, aqui a voz também é utilizada como um instrumento melódico poderoso. Stuart não se destaca pelo timbre, mas por conseguir de forma plena dar um sentido lírico à sua música. Se todas as bandas soubessem dosar suas frases como o Mogwai, muitas coisas fariam mais sentido.

    2 Rights Make 1 Wrong mostra a proficiência dos músicos em compor harmonias únicas. É como se a música não se repetisse em momento algum. Destaque para o uso de xilofone e linha de baixo com espaços garantidos na linha de frente.

    Encerrando, Glasgow Megasnake é um mergulho na praia energética quase hard. É uma faixa curta, com muita distorção e pouco comum para eles, mas vale por revelar-se como juvenil e descompromissada.

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