Seis espetáculos no Festival Internacional de Teatro de Brasília
Por: Priscila Armani, em Artes Cênicas, Review | Nenhum comentário

Centro Cultural Banco do Brasil – Cena Contemporânea – Festival Internacional de Teatro de Brasília traz representantes das melhores montagens do teatro nacional e internacional.
O Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília realiza até o dia 05 de setembro o Cena Contemporânea – Festival Internacional de Teatro de Brasília. Na programação, seis peças de diversas partes do país se apresentam. Os ingressos custam R$ 15 inteira e R$ 7,50 a meia entrada.
O Festival ocorre em Brasília desde 1995 e vem a cada ano ampliando sua importância, dimensão e abrangência. Com intuito de mapear as melhores montagens do teatro nacional e internacional, o evento apresenta produções marcadas pela pesquisa de novas linguagens cênicas, com qualidade e excelência técnica e artística, inovação e criatividade.
A peça chilena Neva se apresenta hoje, 26, e amanhã, 27 de agosto, às 21h, no Teatro I. No enredo, a cidade de São Petersburgo, durante uma tarde de inverno em 1905, com tropas militares reprimindo uma manifestação de trabalhadores que reivindicam melhores condições de vida. Durante esse conflito, duas atrizes e um ator vão ensaiar em um teatro em frente ao rio Neva. Uma delas é Olga Knipper, uma famosa atriz de Moscou e recém-viúva do escritor e dramaturgo Anton Tcheckov. A história é baseada em personagens reais. Escrita e dirigida por Guillermo Calderón, estabelece uma situação irônica e por vezes hilária, em discussões sobre técnica de atuação, teatro e contexto históricos.
Abracadabra acontece nos dias 28, 29 e 30 de agosto, às 21h, no Teatro I. O espetáculo paulista foi escrito, dirigido e é interpretado por Luiz Päetow (vencedor do Prêmio Shell 2009 de iluminação por Music-Hall). Trata-se de um monólogo inovador, sem uma história ou um personagem fixo, que se altera na medida da interação com a platéia e dos questionamentos levantados durante a encenação. Uma parte restrita do público recebe lanternas e se torna responsável por aquilo que todos irão enxergar. Imersa na escuridão da cena, a platéia edita o espetáculo e não é incomum que áreas menos nobres do teatro sejam iluminadas por olhares curiosos (como paredes, portas, pisos, etc).
In On It acontece nos dias 1º e 2 de setembro, às 21h, no Teatro I. Na peça dois atores (Emilio de Mello e Fernando Eiras) interpretam dez personagens. O espetáculo transcorre em três momentos, ou planos. No primeiro, o presente: dois homens discutem sobre um texto teatral escrito por um deles – e que evidencia uma relação afetiva entre eles, no passado. Num segundo, está a representação da peça propriamente dita, colocando em foco a reação de uma pessoa ao saber da morte iminente. E o terceiro e último plano apresenta vários momentos da relação dos dois que são revividos e analisados. Esta é a primeira peça de autoria do escritor Daniel MacIvor encenada no Brasil.
Com direção de Newton Moreno e montada pela companhia de teatro Os Fofos Encenam, Memória da Cana participa do festival de 2 a 4 de setembro, às 20h, no Pavilhão de Vidro. Adaptação de Álbum de Família, de Nelson Rodrigues, cujo texto foi escrito em 1945, mas não pôde ser exibido, pois foi vetado pelo governo Getúlio Vargas. O espetáculo fala sobre uma tragédia incestuosa numa família nordestina. A filha é apaixonada pelo pai que, por não poder corresponder o amor impossível, abusa de meninas entre 12 e 16 anos. Já o irmão mais velho, apaixonado pela irmã, castra-se para não perder o controle. O outro irmão ama a mãe, que ama seu quarto filho, louco e que vive pelos arredores da casa. A tia, por sua vez, vive na família e possui amor pelo cunhado, com quem viveu uma noite no passado. O espetáculo foi consagrado pelo mais recente Prêmio Shell de Teatro, em São Paulo. Memória da Cana tinha o maior número de indicações, concorrendo por direção, cenário, figurino e iluminação. Levou as duas primeiras.
Dulce, que será apresentada de 2 a 5 de setembro, às 19h, no Teatro II, é resultado de um período de residência de artistas do Brasil (Michel Blois e Thiare Maia) e de Portugal (Flávia Gusmão e Nuno Gil), trabalhando uma dramaturgia comum, inspirada no universo literário de Ingmar Bergman, Sarah Kane e Antonio Lobo Antunes. A peça se passa durante um jantar para dois casais. Dulce Beroni, tia-avó de Michel Blois na qual o enredo é inspirado, foi uma mulher que nos anos 50 estava para se casar com o grande amor da sua vida mas uma semana antes do casamento recebeu uma notícia trágica.
Finalizando a programação, o espetáculo infantil carioca Fedegunda tem sessões nos dias 4 e 5 de setembro, às 17h, no Teatro I. Na história, uma jovem descobre ter perdido o coração. Em sua busca por resgatá-lo, inicia uma peregrinação através de quatro passagens. Com partitura original executada com piano ao vivo (por Gregory Ballesteros), a personagem Fedegunda (Camilla Caputti) percorre todos os lugares e busca o seu coração partido através do Mar (Wladimir Pinheiro), do Tempo (Jonas Hammar) do Vento (Cristiano Penna) e do Desejo (Jules Vandystadt). O elenco formado por atores-cantores com larga experiência na interpretação de musicais.
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Cena Contemporânea - Festival Internacional de Teatro de Brasília
Até 5 de setembro
Centro Cultural Banco do Brasil de Brasília
Teatro I, II e Pavilhão de Vidro
SCES, Trecho 2, lote 22
Informações: (61) 3310-7087
Ingressos: R$ 15 (inteira) / R$ 7,50 (meia entrada para estudantes, professores, funcionários e correntistas do Banco do Brasil e maiores de 60 anos)
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