O Último Mestre do Ar, outro do imprudente Shyamalan
Por: Priscila Armani, em Cinema, Review | Nenhum comentário

O Último Mestre do Ar – M. Night Shyamalan continua contando com a paciência dos estúdios de Hollywood para seus filmes, cada vez piores.
Talvez M. Night Shyamalan seja um dos diretores cuja carreira tenha tido a maior oscilação de todo o Cinema contemporâneo. Começou com Praying with Anger, filme pequeno, de 1992. Depois, Wide Awake, em 1998. E logo em seguida, o maior blockbuster de toda a sua carreira, que transformou seu nome em referência em todo o mundo, Sexto Sentido, de 1999. Este último foi elogiadíssimo pela crítica e indicado a seis Oscar, incluindo Melhor Filme, Melhor Roteiro Original e Melhor Diretor. Também foi indicado como Melhor Roteiro no Globo de Ouro. Assim como seus outros filmes, Shyamalan também o roteirizou.
Baseando-se no sucesso desta produção, já que os estúdios passaram a apostar no seu talento a partir disso, o realizador fez uma série de outros filmes, muito irregulares em sua temática e qualidade. Sinais, de 2002, e A Dama na Água, de 2006, estão entre os seus maiores fracassos, sendo, inclusive, produções caras, com efeitos especiais necessários ao funcionamento do enredo. Sua nova obra, O Último Mestre do Ar, parece anunciar o final de sua carreira, que não consegue mais se sustentar apenas sobre o fato de que, há quase dez anos atrás, ele fez um bom filme.
É uma obra ambiciosa e que, de cara, já anuncia a possibilidade de pelo menos mais duas sequências. Adaptação de desenho da Nickelodeon, conta a história de um mundo alternativo, no qual as comunidades seriam divididas em "Povo da Água", "Povo da Terra", "Povo do Ar" e "Povo do Fogo". Nascido entre as quatro nações, o Avatar seria o líder de todas e manteria a paz e o equilíbrio, sendo capaz de controlar os quatro elementos da natureza. Mas Aang (Noah Ringer) não aceita sua realidade como líder e foge, o que causa um desequilíbrio em todo o sistema. O filme refere-se ao primeiro capítulo da "saga", Água, no qual o "escolhido" volta à cena depois de 100 anos desaparecido.
Se o enredo funcionou bem entre crianças de 6 a 11 anos que se tornaram fãs do desenho, nos adultos o efeito não tem sido o mesmo. Ao invés de "vender" a ideia de um filme infantil, Shyamalan o direcionou para as grandes audiências, confiando nos efeitos especiais do início ao fim para viabilizar a história e acreditando que o 3D daria conta do recado, deixando a todos maravilhados. Mas para qualquer filme, algo é básico: sentimento. É preciso que a obra nos cative, nos conquiste. E O Grande Mestre do Ar não consegue isso. Com interpretações ruins (Dev Patel, que é genial em Quem Quer Ser Um Milionário?, está patético de dar dó; Jackson Rathbone vem diretamente da saga Crepúsculo), argumentos fracos, roteiro com furos básicos, e enredo contado de forma pouco interessante, o filme não dialoga com o público. Os personagens são ridiculamente "levados" a fazer o que a história quer que eles façam. Não há muito sentido ou lógica nas ações deles. Fica difícil para a audiência criar identificação.
As sequências de ação são boas, nas quais os efeitos especiais dominam tudo. Por causa disso, claro, algumas cenas são bem ridículas, chegando a ser totalmente inverossímeis, mesmo que quem as assista tenha toda a boa vontade do mundo. Em sua essência, é um filme grandioso, feito a sério por Shyamalan para ser um grande épico, com direito a trilha sonora composta por James Newton Howard (fez O Cavaleiro das Trevas e muito conhecido também por trilhas para séries como E.R. e por ter trabalhado com Elton John) e tudo o mais. Mas não tem jeito. É apenas mais um grande tédio com a assinatura do diretor.
Não tendo ido tão bem nas bilheterias norte-americanas quanto a Paramount gostaria, fica difícil acreditar, na época de vacas magras que Hollywood vive, que alguém vá financiar mais outros dois capítulos dessa porcaria. O filme é uma perda de tempo enorme e torçamos para que ele incentive o realizador a desistir do Cinema e ir fazer algo de mais útil da sua vida. O Último Grande Mestre do Ar deve ficar como animação mesmo, direcionado às crianças, que é o lugar devido dessa história tão bizarra. Talvez uma adaptação do desenho Capitão Planeta fosse uma ideia melhor.
Assuntos relacionados: M. Night Shyamalan, Noah Ringer, O Último Mestre do Ar
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O Último Mestre do Ar
Dirigido por M. Night Shyamalan (1h 43 min)
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