Clássico Lua de Papel emociona plateias até hoje
Por: Priscila Armani, em Colunas, Oldies | Nenhum comentário

Lua de Papel – Há quem considere que o filme possa ter influenciado Central do Brasil, de Walter Salles.
Com obras de pouca expressividade em termos de bilheteria, o grande público desconhece Peter Bogdanovich. Talvez uma de suas melhores obras seja mesmo o clássico Lua de Papel, de 1973, estrelado por Ryan O’Neal e sua filha, a jovem Tatum O’Neal, na época com 10 anos.
O filme é considerado um clássico em termos de relacionamento pai e filha, apesar de na obra isso não ficar explícito. Ryan vive Moses Pray, um vendedor de bíblias, que na época da Grande Depressão Norte-Americana, em 1929, se aproveitava da boa vontade de viúvas para vender o seu produto. Addie Loggins, vivida por Tatum, é uma jovem órfã, que pega carona com o vigarista para poder chegar até a casa de sua tia, com a qual vai morar após a morte da mãe. A longa viagem acaba aproximando-os de um jeito bem peculiar.
A obra ganhou Oscar de Melhor Edição de Som, Melhor Roteiro Adaptado (foi baseado em livro de Joe David Brown) e Melhor Atriz Coadjuvante para Tatum O’Neal, que se tornou, até hoje, a atriz mais jovem a ganhar um prêmio da Academia. Sua atuação foi digna do prêmio e não seria exagero dizer que ela rouba o lugar de protagonista do filme do pai durante boa parte da projeção. Como uma garotinha esperta, atrevida e que deve ter escandalizado alguns conservadores da época, ela é o coração do filme e formou com o pai uma dupla formidável, como poucas vistas na história do Cinema. Mas depois do prêmio, a atriz não apresentou uma expressividade maior em produções cinematográficas. Suas últimas participações mais importantes foram na televisão, nos seriados Lei e Ordem e Sex and the City. Para este ano, o IMDB credita dois filmes em pós-produção e um pronto dos quais ela participa. Um está em fase de pré-produção.
A trilha sonora é boa e merecem destaque também as atuações de Ryan O’Neal e Madeline Kahn, esta última com diálogos muito bons e divertidos. O filme também ganhou um Globo de Ouro e foi indicado a outras cinco categorias. Infelizmente nessa premiação apenas Tatum foi agraciada.
Há quem diga que Lua de Papel tenha sido uma das grandes influências para a história de Central do Brasil, criada por Walter Salles. É uma obra interessante, instigante e excelente entretenimento. Um filme que te prende durante uma hora e 40 minutos. Para quem tiver a oportunidade de alugar o DVD, é um daqueles clássicos indispensáveis, não só por ser divertido, mas também por ser um retrato de uma das piores fases da História dos Estados Unidos, que reflete como as pessoas tentavam sobreviver naquela época. E isso é feito com leveza, simplicidade e beleza.
Assuntos relacionados: Lua de Papel, Peter Bogdanovich, Ryan O'Neal, Tatum O'Neal
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Lua de Papel (1973)
Dirigido por Peter Bogdanovich (1h 40min)
Em DVD nas melhores locadoras de clássicos
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