O Tempo de Tarkovski e a Poesia de Paradjanov
Por: Priscila Armani, em Cinema, News | Nenhum comentário

Instituto Moreira Salles – Cineastas Andrei Tarkovski e Sergei Paradjanov terão mostra especial no Instituto Moreira Salles
O Instituto Moreira Salles no Rio de Janeiro realiza a partir de sexta-feira, 20 de agosto, a mostra O Tempo de Tarkovski e a Poesia de Paradjanov, com cinco filmes de Andrei Tarkovski e quatro de Sergei Paradjanov. O título da mostra é um verso de Boris Pasternak muitas vezes citado por Tarkovksi como a perfeita definição do artista: Refém da eternidade, escravo do tempo.
Do cineasta russo que definia o Cinema como a arte de esculpir o tempo, filmes que serão exibidos em cópias novas em 35mm: Andrei Roublev (1966), baseado na história do mais importante pintor russo do século XV; Solaris (1972), adaptação do romance do polonês Stanislaw Lem; Stalker (1979), que enfrentou grandes dificuldades diante censura da URSS, e seus dois últimos filmes, realizados na Itália, Nostalgia (1983), e na Suécia, O sacrifício (1986).
Em todos os seus títulos (como nos outros três que compõem a filmografia do diretor), Tarkovski narra por meio de longos planos-sequência preocupados em “registrar o tempo em suas formas e manifestações reais”. Para o diretor, “a força do cinema está na relação necessária e inseparável do filme com a matéria da realidade que nos cerca“. Os personagens são capazes de sacrificar-se em nome de um ideal nobre. O astronauta de Solaris, o guia de Stalker, o solitário que se queima em Nostalgia e aquele outro que queima a própria casa em O sacrifício, pertencem à mesma família de Andrei Roublev, “que olha o mundo com olhos infantis, indefesos”.
Ao lado dos personagens quase crianças de Tarkovski, quatro imagens poéticas de um diretor que não queria ser chamado de cineasta profissional: “Sou um amador, um amante da arte e um diretor de filmes”, assim se apresentava Sergei Paradjanov, realizador de Os cavalos de fogo (1964), A cor da romã (1968), A lenda da fortaleza Suram (1984) e O trovador Kerib (1988).
Preso logo após o lançamento de A cor do romã, o cineasta armeno Paradjanov passou a maior parte da década de 1970 no cárcere, acusado de homossexualismo, e só voltou a filmar na década de 1980. Suas obras, que em lugar de reproduzir a aparência de pessoas e coisas tratam de reinventar o mundo poeticamente, eram grandemente admirados pelo próprio Tarkovski, que se dizia em dívida com a visão particular de Paradjanov e com sua capacidade se expressar numa linguagem poética absolutamente livre.
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detalhes
O Tempo de Tarkovski e a Poesia de Paradjanov
De 20 a 29 de agosto
Ingressos: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia)
Instituto Moreira Salles
Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea
Informações: (21) 3284-7400
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