Nicolas Cage e O Aprendiz de Feiticeiro
Por: Priscila Armani, em Cinema, Review | Nenhum comentário

O Aprendiz de Feiticeiro – O Aprendiz de Feiticeiro mistura uma série de elementos que o tornam especialmente ruim
Jon Turteltaub. Quem diabos é esse cara? Se você nunca ouviu falar dele, não se condene. Sua carreira como realizador é um fiasco. Só tem dois filmes que dirigiu do qual provavelmente alguém já ouviu falar: "Enquanto Você Dormia", de 1995, e "Instinto", de 1999. E mesmo assim porque ambos tinham Sandra Bullock (no primeiro) e Anthony Hopkins (no segundo). As estrelas sempre chamam algum público. Mas nunca são a garantia de um bom filme. Possibilitam, no máximo, um orçamento razoável.
No seu mais recente trabalho, O Aprendiz de Feiticeiro, o diretor reforça seu ‘dedo podre’ para o Cinema. Escolhe roteiristas inexperientes e ruins como Matt Lopez (Um Faz de Conta Que Acontece) e Doug Miro (Príncipe da Pérsia: As Areias do Tempo) para escrever diálogos manjados e patéticos; chama o inexpressivo ex-colega de escola Nicolas Cage (os dois estudaram na mesma época na Beverly Hills High School e o cineasta inclusive chegou a disputar com o colega um papel numa peça teatral) para protagonizar o filme; enche a obra de efeitos especiais bons, mas que não servem ao enredo, sendo colocados apenas como uma tentativa de dar ritmo e cativar o público. E é um filme que, ao mesmo tempo, vai agradar e desagradar a muitas pessoas.
Porque isso? Porque todo filme tem o seu público. Toda e qualquer obra cinematográfica, não importa como tenha sido concebida, terá a sua parcela de admiradores. Há aqueles que gostam de aventuras agitadas, cheias de explosões e manobras aéreas, com um clássico romance de vida ou morte entre dois jovens bonitos. E há aqueles que querem filmes desafiadores, que os façam pensar, que os levem a refletir sobre suas vidas e, ao mesmo tempo, sejam obras de arte. Obviamente que quem vai gostar de O Aprendiz de Feiticeiro se encaixa na primeira categoria. E não há nada de errado com isso. Especialmente porque, segundo o que Hollywood pensa, a maior parcela do público que vai ao cinema se encaixa na primera descrição.
Mas porque esse tipo de filme que descrevi, e no qual a obra que é tema dessa crítica se encaixa com perfeição, não pode ser feito de uma forma a respeitar um pouco mais a segunda parcela do público, que gosta de refletir no cinema e sobre o Cinema? Há necessidade de se fazer um filme com atuações tão fracas, enredo extremamente manjado, desenvolvimento previsível e conclusão mais do que antecipada? Precisam ser usados arquétipos ultra desgastados como Merlin e Morgana le Fay, cujas histórias remontam ao Século XII, e ainda por cima descontextualizados, sem nenhum tipo de menção ao Rei Artur? Porque os realizadores e os estúdios insistem em fórmulas prontas de blockbusters e depois reclamam quando as obras se saem mal nas bilheterias? Ninguém ainda percebeu que o mercado mudou e os padrões de qualidade para o entretenimento estão se encaminhando para um novo patamar, que não se conhece ainda ao certo?
A verdade é que O Aprendiz de Feiticeiro é mais uma das tentativas desesperadas da Disney de achar o seu "Harry Potter". Sim, todos os estúdios estão em busca do novo Harry Potter, a nova franquia de filmes que lhes fará faturar rios e rios de dinheiro. Percebam a quantidade de obras lançadas nos últimos anos que tem como tema o sobrenatural (magia, vida após a morte, objetos e/ou animais falantes, etc), um jogo de vídeo-game ou algo que, de preferência, concilie os dois. Quanto mais subprodutos melhor: bonecos, jogos, desenhos, séries televisivas. Os estúdios amargam prejuízo após prejuízo e estão ficando desesperados. São tempos difíceis.
Mas vamos ao enredo. Balthazar Blake (Nicolas Cage) é um feiticeiro que procura por um garoto especial, que se tornará o Merliniano Supremo (Clichê, Clichê!). Dave (Jay Baruchel, esteve em Quase Famosos e Como Treinar o Seu Dragão, além de Uma Noite no Museu 2) é o provável candidado, o que o faz ser alvo de Maxim Horvath (Alfred Molina). O rapaz está na faculdade e é físico, um geek legal (Clichê, Clichê!), algo que virou moda em Hollywood da noite pro dia (o êxito da vingança dos nerds). Suas habilidades com a ciência em conjunto com a magia o ajudarão na sua luta (Clichê, Clichê!).
A obra começa no ano de 740 depois de Cristo e faz uma longa introdução a la Senhor dos Anéis explicando o enredo todo. Não bastasse isso, o público é obrigado a ver, de novo, essa baboseira quando Blake, depois de mais de uma hora de filme, finalmente decide contar a seu aprendiz tudo. Tem que ter disposição, gente. Igualmente para assisir a mais uma tentativa de trazer a magia pros dias atuais, tentando novamente convencer os espectadores que é crível que Merlin tenha existido e tudo o mais (como naqueles filmes de Papai Noel em que somos submetidos a sumárias comprovações de que o velhinho, de fato, está entre nós). Haja espírito ‘esportivo’. Para aqueles que conseguem, finalmente, entrar na ‘onda’ do filme, há ainda mais alguns testes de resistência como, por exemplo, a trilha sonora, que mistura música instrumental com bandas como Fiction Plane e O+S.
Há duas "cenas-homenagens" a Star Wars e Fantasia, além de uma perseguição de carros interessante. E para por aí. O Aprendiz de Feiticeiro terá seus fãs, mas não traz nenhuma novidade, não enriquece a ninguém que o assiste com algo de inovador e, acima de tudo, não cativa. Não prende o espectador como deveria. Não dá ‘liga’, basicamente. Muito dinheiro gasto com efeitos especiais, pouco tempo perdido na concepção de algo que poderia ter muito potencial.
Assuntos relacionados: Jay Baruchel, Jon Turteltaub, Nicolas Cage, O Aprendiz de Feiticeiro
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O Aprendiz de Feiticeiro
Dirigido por Jon Turteltaub (1 h 51 min)
Em cartaz nos cinemas de todo o país.
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