Helen Hunt estreia em Quando me apaixono
Por: Priscila Armani, em Cinema, Review | Nenhum comentário

Quando me apaixono – Helen Hunt estreia na direção de Quando me apaixono com drama sobre a maternidade
Conheço Helen Hunt há pelo menos dez anos, quando ela me encantava como protagonista do seriado norte-americano Mad About You, no qual atuou de 1992 a 1999. Ela vivia o auge de sua carreira, tendo ganho, em 1997, um Oscar pelo papel de "musa inspiradora" de Jack Nicholson no filme Melhor é Impossível, comédia que ficou conhecida mundialmente por personificar o Transtorno Obsessivo Compulsivo na figura do personagem dele, que perambulava pelas ruas de Manhattan pulando as linhas de concreto das calçadas por onde passava. Depois disso, ela não teve mais papéis de destaque, nem no cinema ou na tv. Parecia sofrer da maldição de "atriz de um papel só".
Seu primeiro filme como diretora, Quando me apaixono, é uma tentativa corajosa e válida de sair desse limbo no qual acabou caindo com a virada dos anos 2000. O filme conta a história de April Epner (a protagonista é interpretada por ela mesma), uma professora de jardim de infância que se casa com Ben Green (Matthew Broderick), também professor, e que aos 39 anos esta desesperada para engravidar logo. Sua vida repentinamente dá uma série de reviravoltas das quais ela mal tem tempo de se recuperar antes de conhecer Frank (Colin Firth), pai de um de seus alunos. E isso não significa o fim das emoções para ela. Na verdade, é um enredo interessante e bonito, sobre o qual prefiro não detalhar mais.
A obra é uma espécie de "falsa comédia romântica" abordando, mesmo que superficialmente, alguns assuntos sérios. Hunt encara um desafio e tanto ao atuar e, ao mesmo tempo, dirigir. Isso faz com que seus planos tenham a câmera mais parada e os enquadramentos sejam mais tradicionais. Apesar disso, ela experimenta em alguns momentos do filme, mostrando a sala vazia antes dela e Broderick entrarem em cena; fazendo a câmera se mover dela pra Firth enquanto os dois estão sentados numa festa, conversando, e colocando a câmera para andar com o casal, num ponto tenso mais à frente da narrativa. São tentativas de uma principiante atrás da lente.
O filme tem algumas tiradas interessantes, certos diálogos mais fortes e inteligentes, com atuações dignas de nota. Hunt praticamente não usa maquiagem, todas as rugas e traços expressivos estão lá, numa clara tentativa de expressar seu sofrimento através das expressões faciais. Ela tem seus bons momentos no filme. Mas talvez tenha encarado um desafio grande demais, além do que dava conta. Quanto a Colin Firth, que seria futuramente indicado ao Oscar em 2010, gosto dele, apesar de estar em mais uma obra ao estilo de Bridget Jones. Torço para que busque papéis mais desafiadores em sua carreira e fuja de ser o novo Hugh Grant, amaldiçoado até hoje por Um Lugar Chamado Nothing Hill.
A escolha de Broderick para interpretar um homem que age como uma criança foi perfeita. Ele atua como se ainda estivesse num filme de John Hughes. Bette Midler está surpreendentemente razoável, apesar de às vezes ficar um pouco deslocada em meio a tantas desventuras pelas quais a protagonista passa. Mas acho que é um dos melhores papéis recentes que ela fez no cinema. Protagoniza uma cena interessante e bonita, quando dá seu primeiro banho na filha. Para quem tem crianças, especialmente, é bastante simbólico.
Quando me apaixono (no original Then She Found Me, outro título mal traduzido) é uma espécie de crônica sobre como os caminhos que nós escolhemos muitas vezes não são os que se concretizam e como isso acaba nos fazendo crescer como seres humanos. Poderia ser um grande filme, com outra pessoa dirigindo. E até mesmo outra protagonista. Porque é uma história que precisava de um pouco mais de peso e de experiência, para que o filme fosse levado mais a sério como merecia.
detalhes
Quando me apaixono
Dirigido por Helen Hunt (1h 35 min)
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Assuntos relacionados: Colin Firth, Helen Hunt, Matthew Broderick, Quando me apaixono
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