• O Dia Um de Edith Derdyk

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    Galeria Virgílio – Edith Derdyk expõe suas poéticas instalações na Galeria Virgílio

    A Galeria Virgilio recebe a partir desta quinta-feira, 12 de agosto, a exposição individual Dia Um, da artista Edith Derdyk.

    Na mostra serão exibidas instalações, vídeo, desenhos, objetos e um livro-objeto feitos pela artista. O conjunto das obras tem como ponto de partida a tradução do Genesis feita pelo poeta concreto Haroldo de Campos, publicada no livro BERE’ SHITH A Cena de Origem, edição de 1993 da Editora Perspectiva.

    Tanto a natureza imagética dos versos bíblicos quanto a própria operação de tradução realizada por Campos, que considera o Genesis um marco inaugural onde a palavra se instaura em estado de poesia, são o impulso para o conjunto de trabalhos inéditos de Derdyk.

    No piso térreo é apresentada a instalação dia um, composta de dois trabalhos que se articulam no espaço expositivo. Ocupando praticamente o espaço inteiro estão um chapa de ferro enferrujada, polida, reta e cortante, vincada no chão em diagonal (numa extensão de oito metros lineares), e nas paredes da quina (cinco metros), outra chapa numa parede e na outra parede, um vinco, como se a chapa penetrasse quina adentro. Uma linha preta de algodão interliga as duas chapas (chão e parede) pelas duas pontas e atravessa o espaço, desenhando uma superfície vazia quase imperceptível no ar, à semelhança de lâminas cortantes.

    Na quina oposta, a artista perfila uma seqüência de 15 pilhas verticais de papel branco sustentados por barras de ferro pregadas à parede. A sucessão de diferentes espessuras e quantidades de papel faz com que a barra perfile outra linha na horizontal, evocando um ritmo, uma “partitura de brancos que se intercalam, sugerindo ‘unidades de fôlego’” – expressão extraída da análise de Haroldo de Campos em relação à sua operação de tradução. Para a artista, as quinas e os cantos deste espaço foram tomados como lugares de encontro entre coisas, linhas ou regiões de passagem.

    A artista se vale do movimento do visitante, que olha para cima enquanto sobe a escada, para chegar ao piso superior da galeria, apresentando o vídeo fôlego, projetado na parede oposta à escada. Realizado em parceria com Raimo Benedetti, o vídeo tem 10 minutos de duração, exibidos em looping, onde inúmeras folhas de papel são empilhadas e desempilhadas, e cujos interstícios em movimento criam frestas de luz, remetendo tanto à leitura de um livro aberto que se desfolha indefinidamente quanto ao surgimento de uma escritura nascida dos vãos por entre as folhas.

    Ao entrar na sala do segundo piso, vários trabalhos em diferentes mídias e linguagens são expostos de maneira que todos traçam, entre eles, um jogo de sentido.

    Edith Derdyk realizou quase três dezenas de mostras individuais em espaços institucionais e diversas galerias brasileiras e internacionais desde o início de sua carreira artística, em 1981. A artista coleciona premiações ao longo de sua carreira, com destaque para a Bolsa de Artista Residente do The Banff Centre (Canadá), em 2007; Prêmio APCA na categoria Tridimensional e a Bolsa Vitae de Artes, ambos em 2002; Bolsa de Artista Residente no Bellagio Center (Itália) pela The Rockefeller Foundation, em 1999, entre outros. Possui obras em importantes coleções públicas como o MAM SP, MAM Bahia, Museu de Arte de Brasília, Itaú Cultural e Pinacoteca do Estado de São Paulo. É ilustradora, ainda, para diversos livros infantis publicados pela Summus Editorial, Editora Salesianas, Cosac&Naify (parceria com o músico Paulo Tatit, do grupo Palavra Cantada), Editora 34, S&M e Editora Girafinha.

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    detalhes

    Exposição individual Dia Um, de Edith Derdyk
    De 12 de agosto a 04 de setembro
    Entrada franca
    Galeria Virgilio
    Rua Virgílio de Carvalho Pinto, 426, Pinheiros, São Paulo
    Informações: (11) 3061-2999

    autor

    Priscila Armani é jornalista e apaixonada por cultura. Ela escreve sobre cinema, artes plásticas e teatro. Siga-a no Twitter.  - Leia outros textos de

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