O Poeta e as Andorinhas traz o universo de Oscar Wilde para o público jovem
Por: Nanda Rovere, em Artes Cênicas, Review | Nenhum comentário

Oscar Wilde escreveu uma série de contos de fadas para seus filhos. Assim o autor chamou esses textos, de contos infantis. Entretanto, suas narrativas de fadas, anões, pássaros encantados, príncipes e princesas possuem desfechos improváveis para o gênero e um certo realismo cruel.
O musical O Poeta e as Andorinhas é baseado nesses textos. A peça tem adaptação e direção de Paulo Ribeiro, cenários de JC Serroni, figurinos de Leonardo Diniz, direção musical de Dyonisio Moreno e produção geral de Cintia Abravanel. O espetáculo venceu os prêmios APCA de Melhor Figurino e FEMSA de Melhor Figurino e Produção.
Por acreditar no amadurecimento do público durante os anos de existência do Centro Cultural Grupo Silvio Santos, Cintia Abravanel (diretora-presidente do Centro Cultural) abraçou o projeto. Quem apresentou os textos a ela foi Ribeiro, responsável pelos sucessos Amor, Rapsódia dos Divinos e Avatar.
A dramaturgia, composta por cinco histórias, aborda a morte e a decepção amorosa e possibilita que os jovens reflitam sobre as histórias que são colocadas no palco, sem julgamento, e tenham exemplos de vidas.
Apesar de estar focado no público mais novo, O Poeta e as Andorinhas agradará pessoas de todas as idades. Vai de encontro à filosofia de trabalho do Centro Cultural, que é tratar a arte como meio educativo; enriquecer o outro através do conhecimento artístico.
Segundo Paulo Ribeiro e Cintia Abravanel, "num momento em que o cotidiano é corrido e a beleza é valorizada pela mídia, discutir temas menos superficiais é de grande importância". Cintia defende um teatro voltado para a criança e pautado na seriedade; respeitando o desenvolvimento e a capacidade de pensar e refletir dos pequenos.
Paulo Ribeiro adaptou essa obra de Wilde para o teatro já há alguns anos, mas esta será a sua primeira realização voltada para o público infanto-juvenil. "É um teatro que privilegia a palavra, a música e a poesia", diz.
A peça estreou em 2008 e reestreou este ano, sendo que o Grupo Silvio Santos permitiu pela primeira vez ingressos gratuitos para a rede estadual e municipal de ensino. Complementando a apresentação teatral, o projeto educativo também ofereceu oficinas aos professores.
O figurino é colorido e caracteriza os personagens com competência. O figurinista Leo Diniz disse que cria pensando inicialmente nas cores das vestimentas. "Creio que as crianças se aproximarão dos personagens ao se identificarem com as cores do figurino". JC Serroni elaborou um cenário para receber o colorido figurino e colocou projeções no palco para deixar o numeroso elenco mais à vontade no palco. A trilha é original e está associada aos personagens ou às cenas da montagem. Os temas musicais são revistos no decorrer da encenação com novos arranjos; sublinham a ação dramática e servem como guia para as movimentações dos atores em cena.
Eles são muito bons e demonstram excelente expressão corporal, merecendo destaque o anãozinho (que diverte uma menina espanhola) e as andorinhas, que, além de cantarem com maestria, conseguiram criar para os seus personagens gestos e movimentações precisas, inspirados nas aves. Destaque para Amanda Acosta, que interpreta a andorinha que renuncia à própria vida ao dar a um rapaz uma rosa tingida com o sangue de seu coração, para que ele conquiste uma jovem princesa. Amanda, além de cantar com a alma, tem uma forte presença no palco.
A história é densa e complexa, mas a poesia contida nas cenas proporciona magia e emoção; a tristeza que é reflexo da alma inquieta e contestadora de Wilde se transforma em vontade de não permitir que a injustiça impere em nosso cotidiano.
Mais de: Artes Cênicas, Review
Assuntos relacionados: O Poeta e as Andorinhas
detalhes
O Poeta e as Andorinhas
Até 28 de novembro
Sábados, às 16h
Entrada Franca. Retirar ingressos com 1 hora de antecedência
Teatro Imprensa
Rua Jaceguai, 400, Bela Vista
Informações: (11) 3241-4203
autor








