• Qual o seu papel?

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    Outro dia vi na TV, num programa de debates, a velha discussão sobre o fim do papel impresso. Os debatedores poderiam abordar diversos casos sobre a função do papel, além do impresso. Com tantas pautas sobre ambientalismo e sustentabilidade. Coisa que nunca entendi, por exemplo, é o porquê do bidê nunca superar o papel higiênico? [...]

    Outro dia vi na TV, num programa de debates, a velha discussão sobre o fim do papel impresso. Os debatedores poderiam abordar diversos casos sobre a função do papel, além do impresso. Com tantas pautas sobre ambientalismo e sustentabilidade.

    Coisa que nunca entendi, por exemplo, é o porquê do bidê nunca superar o papel higiênico? Assim como a válvula superou o transistor. Por que o dedão nunca superou o cotonete? Assim como o cd superou o vinil e o Ipod o cd. Sempre achei esse tipo de discussão muito válida. São questionamentos pertinentes.

    Discute-se tanto o fim da tecnologia analógica. A importância digital na inclusão social. A importância da própria importância. A importância do fim do mundo. Qual importância do papel da “importância”?

    Coisa que me pergunto, coisa que suscita a inteligência e os bons costumes e os bons hábitos e o bom senso da inteligência humana. Assim como a importância do papel da mulher na sociedade como objeto social. Assim como o papel do homem na sociedade em geral.

    Sou a favor do papel impresso em casos muito específicos. Onde irão dormir nossos mendigos e como irão se cobrir? E os nossos presidiários? E os nossos cãezinhos onde irão fazer cocô? E os livros impressos que servem apenas de pedestal para monitor? Que servem de apoio ou peso contra o vento, “pega o livro do James Joyce e coloca na porta pra não bater, porque está ventando muito, Vander”.

    Nada mais a favor ou contra do que isso sobre o papel impresso. Sou entusiasta dos e-books e esse lance todo de mídia digital. Facilita bastante o acesso à leitura e, conseqüentemente, à informação. A democracia da intelectualidade funcional está muito próxima.

    Ninguém se surpreenderá quando, numa ida à padaria do seu bairro, você escutar, na fila do caixa, a Dona Efigênia citar Stuart B. Scwartz, e a Dona Bernadete discordar veementemente, dizendo qualquer coisa como, I’m so sorry, Lady Efigênia, mas eu prefiro os relatos de Arthur Anchieta Goulart.

    Papel impresso bom mesmo são aquelas verdinhas, com estampas de presidentes americanos ou animais da fauna brasileira.

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