• A primeira dama de Bristol, Martina Topley-Bird, em Some Place Simple

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    Martina Topley-Bird – Famosa pela colaboração ao lado de Tricky, ela agora apresenta seu terceiro trabalho, Some Place Simple

    O debut de Martina Topley-Bird na cena musical não poderia ter acontecido de maneira mais glamorosa quando, em 1995, emprestou sua voz para o então namorado Tricky, na gravação de Maxinquaye, álbum de estreia deste músico que estabeleceria as bases para a Bristol Sound – ou o Trip Hop – de bandas como Portishead e Massive Attack.

    Naquele período, Martina era apenas uma jovem estudante. No álbum de seu namorado chegou a ter o nome creditado de forma errônea, como Martine, devido a uma falha de impressão. Mas de lá para cá, a musicista tem encaminhado por vertentes mais autorais e menos homogêneas à peculiar sonoridade daqueles grupos embrionários.

    Como demostra seu mais recente álbum, Some Place Simple, ela parece abstrair das colaborações constantes ao lado de Massive Attack e Gorillaz. Este terceiro disco, em essência, trata-se de apropriações e releituras de alguns dos seus trabalhos anteriores lançados ao longo de sete singles e dois LP’s anteriores.

    Baby Blue, por exemplo, foi lançada originalmente em 2008. Aqui, abre os trabalhos com arranjos de corda (um bandolim!) e breves passagens de batidas eletrônicas. Mais à frente, Lying tem levada jazzística, com teclados e o vocal aveludado – quase infantil – de Martina.

    Poison, também foi lançada em forma de single no ano de 2008, demonstra um lado mais percussivo da veia criativa da cantora, com andamentos apressados e ampla diversidade de instrumentos, num afro-beat pop. Snowman é totalmente calcada em construções oníricas de sintetizadores e atmosfera intimista.

    A um passo do final, Valentine (faixa extraída do disco The Blue Good) ganha  versão quase dark. É uma bela narrativa crônica sobre a típica figura feminina solitária, evocando simbologia genérica e facilmente identificável no universo de jovens mulheres. Para finalizar, outras três curtas faixas demarcam o território de forma energética e dance.

    Ao final, Some Place Simple constrói-se de forma já conhecida para quem, por exemplo, aprecia o trabalho de Portishead, no sentido da reinvenção e resamples. Martina Topley-Bird resgata canções de trabalhos passados dando-as roupagem nova e imprimindo, certamente, o peso de sua voz. Neste ofício ela parece ter caminhado anos luz no espaço entre as colaborações como namorada de Trick e a afirmação como uma das principais mentes criativas de Bristol.

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