• Scarface, uma ode à violência e à loucura

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    Scarface – Clássica refilmagem de 1983, Scarface mostra Al Pacino e Brian De Palma num dos melhores momentos de ambas as carreiras

    Antes de falar de Scarface, cabe a mim contar a vocês que na minha sala de estar há dois quadros com cenas clássicas de filmes: o primeiro mostra o elenco antigo de Star Wars, do qual sou fã incondicional. O segundo mostra Pacino e Pfeiffer em clássica cena da obra de De Palma.  

    A refilmagem de 1983 possui quase três horas de puro tiroteio. Não à toa o filme inspirou vários vídeo-games. Extremamente violento e com apologias ao uso de cocaína, não é nada light. Mas traz uma das figuras mais caricatas da história do cinema norte-americano: Tony Montana, o protagonista.

    Montana é uma figuraça. Em 2006, ele ocupava o 13º lugar da lista fictícia dos “mais ricos” que foi elaborada pela Forbes. Cubano, ele foi um dos muitos que aproveitou a trégua temporária de Fidel Castro, na década de 80, e veio para os Estados Unidos. Começou com um pequeno assassinato, para garantir o Green Card. Mas logo que teve oportunidade, quis entrar para o tráfico. Com o tempo, ganha o respeito de um chefão do tráfico e sua confiança. Passa a ter contatos com um produtor colombiano e começa a querer montar um “negócio próprio”.

    Apaixonado por Elvira (Michelle Pfeiffer), mulher do chefe, Montana fica ainda mais motivado a ter dinheiro e poder. Em uma das cenas mais interessantes desse filme ele diz ao amigo Manny Ray: “tenha dinheiro e você terá as mulheres. Nesse país é preciso ter dinheiro e poder para depois ter as mulheres”. Ele vê nos céus um dirigível da Goodyear que diz “O mundo é seu”. Esse passa a ser seu lema pessoal.

    Dirigido por Brian De Palma e com roteiro de Oliver Stone, Scarface foi inspirado em um
    romance de Armitage Trail e teve sua primeira versão em 1932, cuja história se passa no contexto da Grande Depressão Norte-Americana. Censurado em muitos países, tem a palavra “fuck” pronunciada 206 vezes por seus personagens. Imperdível, no entanto, são seus cenários, suas cenas clássicas de violência, fúria e loucura, seus diálogos recheados de ironia.

    A atuação brilhante de Pacino é uma verdadeira aula para os atores de hoje, aos quais carece tanto densidade e expressividade. Interessante observar como ele interpreta, de maneira soberba, a paranóia do protagonista, enquanto este ruma, sem saber, para a própria destruição.

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    Scarface (1983)
    Dirigido por Brian De Palma (1h 20min)

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    Priscila Armani é jornalista e apaixonada por cultura. Ela escreve sobre cinema, artes plásticas e teatro. Siga-a no Twitter.  - Leia outros textos de

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