Sagrada Imaginação
Por: Renata Ferri, em Colunas, Literalmente | Nenhum comentário

Minha irmã surpreendeu-se com meu pedido: “você tem uma bíblia para me emprestar?”. Ela provavelmente pensava no que será que eu poderia querer com uma bíblia? As pessoas devem achar que eu sou toda cheia de ceticismo, ateísmo, anarquismo, satanismo e magia negra. Talvez estejam certos, mas eu não buscava inspiração religiosa, e sim, literatura.
A bíblia é o livro mais antigo do mundo, e ainda assim, o que possui mais credibilidade. Nos Estados Unidos, em um tribunal, põem a mão direita sobre o livro sagrado e juram dizer a verdade nada mais que a verdade até que a morte os separe. Passagens são citadas em musicas de rap que falam sobre ex-presidiários. O que lá está escrito é, por vezes, incontestável. Você não acredita? Mas está na bíblia, capitulo tal, versículo tal.
Meu objetivo estava no Antigo Testamento: a história de Sansão e Dalila. Eu já sabia que o Sansão era algo como o John MClane (interpretado por Bruce Willis antes de aprender a conversar com criancinhas médium) em Duro de Matar. Dalila era um tipo de Eva contemporânea daquela época que não conseguiu segurar a boca e entregou o segredo da força de Sansão. Bom, a força estava no cabelo, cortaram-lhe o cabelo, e só sei que no final das contas morreu uma cassetada de gente.
Além dessa passagem super espirituosa, ainda temos vários outros contos interessantíssimos de aventura, como a história de como Davi matou o gigante Golias. Sem contar com os clássicos, como a arca de Noé, e Moisés fazendo com que se abrisse o mar para que seu povo passasse. E não pára por aí, na parte dos Salmos há lindas poesias, algumas até mesmo com uma pitada de erotismo saudável nas entrelinhas.
A bíblia não serve somente para encontrar a formula mágica de viver corretamente. A leitura da bíblia não é apenas um passe livre para o céu quando chegar o apocalipse. É uma fonte de inspiração e de conhecimento da história humana. Obviamente, ao longo dos séculos, muitos engraçadinhos escreveram coisas que não aconteceram realmente, assim como naquela brincadeira do telefone sem-fio.
Mas e daí, há tanta coisa fascinante. Quem pode me provar se Capitu e Bentinho não habitaram essas terras algum dia sob outros pseudônimos? Flertar com a bíblia é como ir a igreja sem que eu seja infernizada por padres, fiéis ou vitrais.
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Renata Ferri escreve para a coluna Literalmente.
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