• The Suburbs, do Arcade Fire, é a auto-afirmação criativa

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    Arcade Fire – The Suburbs é o terceiro e um dos melhores trabalhos da banda canadense

    Olhando bem para o norte, acima do território yankee, é possível retroceder menos de uma década e extrair da cena do Canadá bandas de profícua produção, como Wolf Parade, Sunset Rubdown, Handsome Furs e Arcade Fire. Reforçando o senso de grupo, não raramente membros destas bandas são também colaboradores de outros projetos, como acontece com o vocalista Spencer Krug, que participa do Wolf Parade e do Sunset Rubdown, além de outros vários.

    Mas toda cena que se preze deve ter em suas fileiras um ícone referencial, e não há dúvida de que no caso canadense essa referência atende pelo nome de Arcade Fire, que a partir do lançamento de Funeral (2004) assumiu posto de banda mais cool daqueles lados.

    Como se sabe, o Arcade Fire foi formado em 2003 na cidade de Montreal num esquema meio familiar, contando com o casal Win Butler e Régine Chassagne, além de William Butler, irmão do vocalista. Após Funeral a banda apresentou, em 2006, o disco Neon Bible, e agora, exatamente neste mês de agosto, eles lançam sem terceiro trabalho, The Suburbs.

    Para os que já estão acostumados com a sonoridade da banda, de múltiplos registros instrumentais e relativa dinâmica (que inclui o trânsito dos sete integrantes entre vários instrumentos), The Suburbs é um trabalho bem autoral, com diferenças nítidas, mas que, em sua essência, trará um respiro inevitável à veia criativa do Arcade Fire.

    A faixa homônima The Suburbs abre os trabalhos com uma pequena ode à criação dos irmãos Butler nos subúrbios de Houston (Texas, EUA). É uma música robusta, de aproximadamente 5min, marcada sobretudo por linha de piano e andamento quase sessentista. Mais a frente, Modern Man tem levada no mesmo passo de Joy Division e, não fosse os vocais inconfundíveis de Butler, poderia se passar por uma releitura digna do grupo inglês.

    Rococo é um dos pontos altos com seus arranjos sofisticados e a base cancioneira junto ao marcante violino, além da evocação da atmosfera angustiante peculiar da banda. City With No Children é outra crônica sonora com guitarras proeminentes, enquanto Suburban War, que carrega em sua letra a mesma temática, tem na musicalização o soar vintage da década de 80.

    Deep Blue é como um lado B folk corroborado por pianos. Já We Used To Wait apresenta carga de post-punk, preparando o encerramento para um formato introspectivo e conclusivamente atraente.

    Se Neon Bible não fez jus à sequência do inquestionável Funeral, The Suburbs marca a afirmação da qualidade criativa do grupo e, certamente, figurará entre um dos trabalhos referenciais para se entender essa rica e essencial banda canadense.

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    Ouça mais de Arcade Fire em seu site e Myspace.

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