• Usufruto traz ao palco a atriz Lúcia Veríssimo

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    Usufruto – Confira crítica e entrevista sobre o espetáculo

    Conhecida pelos trabalhos em novelas, Lúcia Veríssimo é a autora Usufruto, peça que já viajou pelo Brasil, fez temporada em São Paulo e no momento, está no Rio de Janeiro. No palco, a atriz vive uma mulher madura, esperta, sem pudores para atingir os seus objetivos; que encontra um jovem em um apartamento. Ele, noivo, cheio de sonhos, verdadeiro e com valores tradicionais.

    Os dois estão interessados na compra do imóvel e para a resolução do impasse se envolvem num instigante jogo de sedução e persuasão.

    Ao lado de Lúcia Veríssimo está André Fusko, ator paulistano experiente, que se diz muito lisonjeado com a oportunidade de estar participando dessa produção.

    O texto é bem construído. Um duelo plugado com a nossa realidade por falar de valores éticos e provocar uma interessante discussão sobre sexo, desejo, sinceridade e manipulação.

    A montagem é simples, com a presença de caixotes e uma tela no fundo. A direção é de José Possi Neto, que valoriza os diálogos ágeis e a movimentação precisa dos atores no palco, com uma cena picante de sexo sem cair na vulgaridade.

    Entrevista com André Fusko

    ANDRÉ FUSKO é médico, ator e dramaturgo – autor de montagens recentes de sucesso: Maternidades, com a sua esposa Amanda Acosta (em cartaz em São Paulo), Simceramante – Ou a Trágica História de Um Dono da Verdade e Os Solidores. Entrou no espetáculo Usufruto, substituindo Raphael Viana. Na peça, ele atua ao lado de Lúcia Veríssimo, que assina a autoria do texto.

    Na TV, participou da minissérie Unidos do Livramento (TV Cultura) e da novela A Escrava Isaura (Record).

    Nesta entrevista o ator fala um pouco sobre a sua carreira

    Como é estar no palco ao lado da Lucia Veríssimo, uma atriz com experiência profissional – o que é possível aprender ao seu lado?

    André Fusko – Ela é uma pessoa e uma atriz muito poderosa. Sua força poderia me inibir, mas na verdade acabamos entrando numa troca muito boa e o vigor dela serve de alimento para minha interpretação. Ela também tem muita experiência e aprendo com os tempos e intonações que ela usa com maestria no palco.

    Como surgiu o convite para participar do espetáculo?

    Fusko – Através do meu agente Flavo Canova, que soube da procura de um ator para o papel e me indicou.

    Você já havia assistido a  peça? Como se preparou para a substituição?

    Fusko – Assisti a peça antes de ser convidado para fazer o papel e me preparei em uma semana apenas. Contei com o apoio do Eduardo de Santhiado, assistente de direção, que me ensinou os atalhos do personagem, quando a Lucia e o Possi não podiam ensaiar.

    Geralmente você produz as suas peças. Como é estar num trabalho sem essa tarefa?

    Fusko – Mais tranquilo. Apesar de estar produzindo MATERNIDADES, texto meu com Amanda Acosta no Teatro Imprensa. Eu, durante USUFRUTO, só me preocupo com meu trabalho de ator. Isso é muito bom também!

    Como foi escrever Maternidades e dirigir a sua esposa no espetáculo?

    Fusko – Uma delícia! A gente ensaiava na cozinha quando o Vicentinho pegava no sono. O resultado acredito que vem também dessa cumplicidade que eu e Amanda temos. Eu como diretor só posso elogiar a Amanda. Tudo que eu precisava ela dava de forma melhorada!

    Você declarou que Maternidades não é uma obra autobiográfica, mas há algum momento da peça que lembre a sua relação com o seu filho Vicente?

    Fusko – Sim, talvez a Vovó e a Mãe Magato tenham traços da minha personalidade. As duas defendem valores em que acredito.

    Como administra o seu trabalho de médico e a sua atuação como ator, autor e diretor?

    Fusko – Nem pergunte, porque eu não sei. Acordo às 7h00 todo dia para atender meus pacientes e às 14h00 o meu dia de ator, produtor, diretor começa. Lamento apenas não ter momentos de ócio, porque são nesses momentos que meus textos nascem. Gostaria de ter tempo pra escrever mais e ver mais meus amigos.

    A sua atividade como médico influencia nas suas criações artísticas e vice-versa? De que maneira?

    Fusko – Totalmente. Acho que todo médico deveria ter uma vivência em teatro. Medicina é um curso muito técnico e a humanidade fica de lado. Teatro é pura Humanidade. A gente fala do Homem todo tempo e de uma forma bem mais emocional. O ator se beneficia da vivência médica em vários momentos. Desde a forma de raciocínio até o entendimento de momentos extremos de vida e morte… tanta coisa, difícil colocar em poucas letras.

    Tem novos projetos no teatro ou TV que pode adiantar?

    Fusko – Tenho alguns em teatro e nenhum convite para TV. Estou gostando de conduzir minha carreira de forma independente. Só aceitei este convite da Lucia Veríssimo porque é um trabalho irrecusável do ponto de vista artístico e pessoal.

    Qual a importância de um evento como Festa do Teatro para democratizar o acesso à sala de espetáculos.

    Fusko – Acho fundamental e muito positivo. O teatro esteve lotado por um público que não costuma ter acesso ao teatro. Achei democrático.

    E pra finalizar, hoje, como produtor, como você avalia o teatro?

    Fusko  – Como produtor estou desenganado. Enquanto não tivermos uma população que aprenda na escola, ou em casa, que deve pensar e questionar ao invés de apenas executar, o teatro vai ser desnecessário e perderemos nossa identidade e nosso valor. Quando o ensino público era bom, há algumas décadas, o teatro era de segunda a domingo, com duas sessões, sextas e sábados. Hoje quinta a domingo já está se tornando difícil.

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    Usufruto

    Texto: Lúcia Veríssimo | Elenco: Lúcia Veríssimo e André Fusko | Direção: José Possi Neto
    Loca: Teatro FASHION MALL (300 lugares)
    Endereço: Estrada da Gávea, 899, sala 213 - São Conrado Shopping Fashion Mall
    Informações e Vendas: 21-3322.2495 e 2422.9800
    Ingresso: Quintas as 21:30, R$ 30,00, sextas as 21:30 R$ 40,00
    Horários: Sábados as 21:30, R$ 50,00 e domingos as 20:00, 40,00
    Duração: 70 minutos | Recomendação: 16 anos
    www.luciaverissimo.com.br/usufruto

    autor

    Historiadora e estudante de jornalismo. Apaixonada por cultura, pesquisa e escreve sobre teatro desde a década de 90. - Leia outros textos de

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