Quarto do The Books, The Way Out, é apresentado
Por: Salomão Terra, em Música, Review | Nenhum comentário

The Books – Duo novaiorquino propõe em The Way Out um trabalho de contornos amplos e conceituais
Uma miríade de referências e subdivisões. A crítica musical não raramente depara-se com a árdua e ingrata tarefa de categorizar e apresentar – ao ritmo alucinado da indústria fonográfica – uma variedade incontável de pressupostas invenções, reinvenções ou cópias sinceras – além de eventualmente algo realmente novo – a ouvintes que, de sua parte, são calejados por vícios e lugares comuns do mundo musical.
Neste universo de bandas e re-bandas, raramente um projeto é digno do rótulo de “novidade”. Isso só é possível perante a parâmetros sinceros, como é o caso de The Way Out, quarto álbum de estúdio do duo novaiorquino The Books, lançado recentemente.
O disco sai pelo selo Temporary Residence Limited (a mesma do Explosions In The Sky) e sucede uma sequência de três outros trabalhos pelo selo alemão Tom Lab. Neste caso, o endorsment de um apoiador logístico/musical certamente faz toda a diferença. Qual o resultado (econômico) de se gastar horas pesquisando e produzindo uma sonoridade que dificilmente se enquadraria na prateleira do até já batido indie rock?
Escutar The Way Out é um exercício agradável de degustação musical. Talvez aqui o público possa encontrar um estado evolutivo natural a todos aqueles artistas que já ousaram vincular “experimental” à descrição de si próprios. Não, ao contrário do que se imagina, é justamente no conforto do trabalho que descansa o suprassumo da produção. Diferentemente de álbuns “difíceis” ou “indigestos”, propicia agradável audição de estruturas musicais narrativas com início, meio e fim. É como se a melodia articulasse como natural, apesar das características já conhecidas do trabalho do duo: bricolagem de samplers, uso de instrumentos não convencionais e atmosfera onírica.
Cada nova faixa esboça-se como um universo único, num pequeno planeta de 14 músicas. Group Autogenics I inicia tudo com uma frase meta referencial: “neste álbum, a música foi especificamente criada para efeitos prazerosos sobre mente, corpo e emoções…”. A partir daí, uma linha percussiva serve como base para fraseados simples de guitarra e uma capela de vocais dúbios. Em I Didn’t Know That, vozes robóticas compõem uma frase emergida de símbolos pop (um grito de torcida ao fundo, um vocal feminino cristalino…), enquanto I Am Who I Am abarca recorte de algum filme clássico em sua introdução, procedida de samplers obscuros.
Thirty Incoming é quase um quadro matutino, que vale-se de um telefonema para narrar uma cena urbana sob bateria jazzística. Mais ao final, Free Translator brinca com vocais folk e cores regionalistas, além de uma agradável bricolagem de vento para encerrar-se.
Válido por seu cuidado, The Way Out, do The Books, é certamente trabalho de referência para o ano, embora tenha predisposição enorme em limitar-se a espaços injustos entre o consumo cultural.
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