A pequena notável em homenagem de Antunes Filho
Por: Priscila Armani, em Artes Cênicas, Review | Nenhum comentário

A peça de Antunes Filho, Foi Carmen, é talvez a mais incomum do diretor até o momento, se é que se pode dizer assim. Isso porque é a primeira vez que o diretor ousa tanto na experimentação, uso de simbolismos, grandes períodos de silêncio e quebras constantes de espaço, tempo e ritmo.
De acordo com Antunes, que já deu várias declarações à imprensa sobre o assunto, o ideal é ir assistir à peça sem conclusões precipitadas.
O espetáculo faz uma homenagem aos cem anos da imigração japonesa no Brasil, especialmente ao artista Kazuo Ohno, um dos mestres do butô, arte que mistura teatro e dança.
A biografia de Carmen Miranda funciona como pano de fundo dos acontecimentos no palco, especialmente para se tocar em temas como sonho, frustração e travessia. A montagem funde fragmentos da vida de Carmen com elementos do teatro de butô.
A linguagem fictícia usada durante a encenação, o fonemol, é um recurso interessante para que o ator possa priorizar o som das palavras ao seu significado e dá uma dinâmica diferente à atuação da protagonista.
No centro da trama estão uma menina (Paula Arruda) que sonha crescer para tornar-se a popular cantora e um malandro (Lee Thalor) fascinado pela sua imagem de Carmen.
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