Um questionamento sobre a loucura em Um Estranho no Ninho
Por: Priscila Armani, em Colunas, Oldies | Nenhum comentário

Um estranho no ninho é, até os dias de hoje, um dos melhores filmes de todos os tempos. É um drama intenso, visceral, que explode com todos os conceitos da psiquiatria da década de 70. Se você não toma cuidado, explode seus neurônios! Caramba, isso não é um filme, é um trator.
Jack Nicholson é, simplesmente, fenomenal, numa das atuações mais brilhantes da história do cinema. Dois Oscars pra ele é pouco demais! Como é que aquele Curinga que ele fez não ganhou o Oscar? Não foi à toa que o American Film Institute lhe concedeu, em 1994, o prêmio pelo conjunto da obra de sua vida. A Academia comete seus erros. E quem assiste esse filme concorda que três Oscars para ele não é nada. Você sabia que o ator recusou o papel de Michael Corleone no primeiro The Godfather? E que Bob Kane, criador do Batman, o recomendou pessoalmente para interpretar o Curinga em 1989? A biografia da vida dele, ironicamente, daria um belo filme.
Bem, para quem não sabe, “Um estranho no ninho” (One Flew Over the Cuckoo’s Nest, no original) conta a história de Randle Patrick McMurphy, prisioneiro que banca o louco para sair da prisão direto para o manicômio. Mas, quando ele chega lá, percebe que as coisas não são nada fáceis e que sua idéia não foi tão boa assim. Incrivelmente, ele se comunica de maneira excelente com os pacientes e eles estabelecem uma ligação maravilhosa. É triste, triste demais constatar, com esse filme, o quanto o movimento de luta antimanicomial tem razão. É de cortar o coração as formas de tratamento que os portadores de sofrimento mental recebiam à época. E o pior: perceber que o desajustado McMurphy é a pessoa mais humana do manicômio. É ele quem mais pensa no bem-estar dos pacientes. O ápice da obra é quando Nicholson confronta a enfermeira interpretada por Louise Fletcher, concretizando a vontade presa na garganta dos espectadores e dos demais internos.
Curiosidades
- O filme foi todo rodado dentro de um hospital de verdade, com alguns pacientes com problemas mentais reais. A equipe praticamente morou no hospital durante a filmagem, com alguns deles tendo se relacionado com portadores de sofrimento mental para conhecer melhor o seu mundo. E as sessões de terapia em grupo representam quase todas as melhores seqüências do filme. Várias tomadas dessas terapias foram feitas sem que os atores soubessem que estavam sendo filmados.
- A cena da pescaria foi filmada e incluída na montagem final só depois de Michael Douglas, Saul Zaentz e todo elenco insistirem muito com o diretor Milos Forman. Muitas das caras de nojo que os atores faziam eram verídicas: estavam todos com enjôo no barco, menos Nicholson. E essa cena é a única do filme que não foi filmada na sequência prevista no roteiro. O filme inteiro foi filmado na ordem em que foi montado.
- Esse filme demorou 13 anos para se concretizar graças à burocracia da Tchecoslováquia e tantos outros empecilhos. Foi uma saga enorme. Não caberia aqui. Saiba mais.
- O filme foi a estréia no cinema de três grandes atores. Brad Dourif (que fez “O Veludo Azul”, “Alien: a ressureição”, a voz do “Chucky” e ”O Senhor dos Anéis: As Duas Torres” e “O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei” – nesses dois últimos está irreconhecível), Christopher Lloyd (o popular professor do clássico dos anos 80 “De volta para o futuro”) e Danny De Vito (o Pinguim de “Batman – O Retorno”, estava em “O nome do jogo” e já fez outros inúmeros filmes comédia-pastelão). O que eu não sabia é que foi a produtora de De Vito que tornou possível nada mais nada menos que “Pulp Ficcion”, de Tarantino.
detalhes
Um Estranho no Ninho
Gênero: Drama
Ano: 1975
Elenco: Jack Nicholson , Louise Fletcher, William Redfield
Direção: Milos Forman
Assuntos relacionados: Jack Nicholson, Milos Forman, Um Estranho no Ninho
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