Fernando Cappi apresenta Chankaz
Por: Salomão Terra, em Música, Review | Nenhum comentário

Embora esteja em um intervalo de dois anos sem material inédito, o Hurtmold continua brindando o público, mesmo que indiretamente, com boas produções.
Após lançamentos do baterista Takara e do tecladista Granado, além do mais recente MDM, de Mário Cappi, é a vez de Fernando Cappi se aventurar com o trabalho autoral Chankaz.
Fernando Cappi mantém conceitualmente os pressupostos de sua banda nativa, não se restringindo a gêneros e direcionamentos estéticos, mas caminha em sentidos distintos. Aqui, há uma predominância de cordas, com um ar cancioneiro nato, muitas vezes chegando a soar folk.
Voleio abre o disco de forma magistral. Há uma guitarra de timbres cristalinos que desemboca numa estrutura de violão marcante e percussão. O clima de tensão se intensifica, levando a um estado de vocais primais e a sons verdadeiramente místicos. Mais à frente, Sapêco resgata, em teclas, uma tradição regionalista, enquanto Noventa é uma canção típica, triste, entrecortada por sopros na medida exata.
Em Raphael, há ares bucólicos e lirismo tipicamente sertanejo. Não é uma moda de viola per si, mas remete há algo de uma cultura intuitiva, absorvida não pela fruição direta, mas por percepções da própria formação de identidade sócio-musical.
Para finalizar, A Última caminha pelas mesmas direções, reforçando a aposta em modelos pouco previsíveis e convencionais de estruturação musical. Chankaz é assim, um álbum de referências. É denso e criativo. Acima de tudo, articula-se como um destes trabalhos intimistas e de bom gosto, amplamente indicáveis.
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