School Of Seven Bells e o dream pop de Disconnect From Desire
Por: Salomão Terra, em Música, Review | Nenhum comentário

School Of Seven Bells – Trio chega ao terceiro disco, Disconnect From Desire, em dia com o dream pop
Surgido na Inglaterra da década de 80, como uma interseção natural entre a new wave, o pós-punk e o pop, o dito Dream Pop gerou bons frutos direta – e indiretamente – que por sua vez contribuíram para a construção e expansão do rock britânico.
De lá para cá, uma linhagem que parte de nomes como The Chamaleons, Galaxie 500 e mais recentemente Mercury Rev, desenvolveram o gênero que culminou em inúmeras ramificações. Ícone recentes desta produção, calcada sobretudo em arranjos proeminentes de sintetizadores e vocais femininos, o School Of Seven Bells tem todas as combinações possíveis de elementos peculiares ao Dream Pop.
O trio foi formado em 2007 por Benjamin Curtis e as irmãs gêmeas Alejandra e Claudia Deheza. O primeiro foi criador da banda The Secret Machines e as duas irmãs, formadoras do On! Air! Library!. O encontro se deu durante uma turnê do Interpol, ocasião em que os grupos abriam shows. A partir daí, decidiram largar seus projetos e criar o School Of Seven Bells, todos juntos em NY, onde também construíram um homestudio. Entre particularidades do processo criativo da banda, vale ressaltar que em geral as letras são criadas antes da melodia.
Em 2008 o trio lança o bem recebido álbum Alpinisms, após a divulgação de singles e turnê. Agora, dois anos após seu debut, colocam à disposição Disconnect From Desire. Nele, a banda mantém sua proposta básica de explorar vocais femininos, sintetizadores e harmonias etéreas. Escutar School Of Seven Bells torna-se, cada vez mais, um exercício de apreciação estética. Não que a banda faça um som totalmente heterogêneo à cena indie na qual está inserida, mas a riqueza de texturas aqui é nítida e imensamente apreciável.
Windstorm abre o álbum com um chorus literal, de múltiplas vozes intercaladas à guitarras com overdrives. O clima eletrônico esquenta com a sucessão de Heart is Strange, faixa de baterias digitais e vocais literalmente dúbios, das gêmeas Deheza.
Mais à frente, ILU é um ambient apoiado em uma simples linha de orgão elétrico. Na virada, Camarilla é a mais rítmica e rica no aspecto de timbres. Para encerrar, The Wait é uma viagem musical prioritariamente composta para os belos vocais das irmãs.
Desta forma, Disconnect From Desire se constrói como um trabalho de pretensões justas. Com produção cuidadosa e bem pensada. Pode não ser o disco de maior expressão em 2010, mas certamente estará entre a lista dos mais influentes do mundo indie rock.
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