A encarnação de Terry Malloy por Brando em Sindicato de Ladrões
Por: Priscila Armani, em Colunas, Oldies | Nenhum comentário

Marlon Brando é, sem sombra de dúvidas, o ator mais talentoso da história do cinema. E quando você assiste Sindicato de Ladrões (On the Waterfront), qualquer dúvida nesse sentido se dissipa imediatamente. Se tem alguém que nasceu para ser ator, que a câmera ama, que nos faz ficar grudados na tela à expectativa de cada cena, esse alguém é Brando. Excepcionalmente talentoso, lindo e um gênio de gênio difícil. Apaixonante ao extremo.
A obra, ganhadora de oito Oscars, conta a história de Terry Malloy (Brando), um ex-boxeador frustrado por ter perdido a oportunidade de sua vida de ser um grande lutador. O filme se inicia com a contribuição involuntária deste para a morte de seu amigo Jimmy Doyle e o quanto isso pesa em sua consciência. Ele trabalha para Johnny Friendly, diretor do sindicato dos trabalhadores portuários local, que chantageia e cobra taxas ilegais de seus afiliados. É pagar ou ficar sem trabalhar. E, por consequência, Johnny é o manda-chuva do pedaço.
Mas a partir da morte de Jimmy, as coisas começam a mudar. Percebemos a evolução da consciência de Brando e como o cerco vai se fechando para ele. O amor, a corrupção, a religião, tudo isso invade a cabeça do personagem ao mesmo tempo e ele se vê confuso, tendo de tomar uma decisão muito difícil. Ele tem tudo a perder. Mas também tudo a ganhar. Seu romance com Edie Doyle (Eva Marie Saint), irmã do amigo falecido, é bonito, delicado e muito forte. Um clássico amor de Cinema como não se vê mais.
Dirigido por Elia Kazan, diretor também conhecido pelos clássicos Viva Zapata! e America, America, o clássico passou a ser considerado auto-biográfico depois que o cineasta, assim como o personagem Terry Malloy, enfrentou a difícil situação de ter de denunciar seus amigos. No caso do diretor, entregou Charles Chaplin e outros comunistas da indústria cinematográfica ao ao Comitê de Investigações de Atividades Anti-Americanas. Foi execrado publicamente o resto de sua vida e carreira por causa disso, deixando de ser aplaudido por alguns atores, entre eles Ed Harris, Nick Nolte, Holly Hunter, Ian McKellen e Ed Begley Jr. durante a cerimônia em que recebeu um Oscar honorário pelo conjunto da obra.
A melhor cena do filme é a que Brando conversa com Rod Steiger, seu irmão Charlie. Ele diz: “Eu poderia ter tido classe. Ao invés de ser um vadio. Que, convenhamos, é o que sou”. Pobre Brando, ficaram o filme inteiro o chamando de vadio, mas se tem alguém que trabalhou foi ele. E como trabalhou.
Assuntos relacionados: Elia Kazn, Marlon Brando, Sindicato de Ladrões
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Sindicato de Ladrões (1954)
Dirigido por Elia Kazan (1h 48 min)
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