• Devo e a volta com Something For Everybody

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    Devo – 20 anos após último disco, eles reaparecem com o lançamento do surpreendente Something For Everybody

    Entre os anos de 1978 e 1990 bastaram oito discos para que os americanos do Devo deixassem sua marca no mundo pop como precursores da new wave nas terras do tio Sam.

    Entre comerciais publicitários, trilhas de filmes e jogos, além de um projeto para Disney de regravações de si próprios por crianças, lá se foram 20 anos sem material inédito. O hiato foi rompido agora pelo lançamento de Something For Everybody.

    Desde o lançamento do single Watch Us Work It, em 2009, passando por confirmações e boatos de shows que incluíam o festival SXSW, o Devo vem se preparando para a retomada em grande estilo, a começar, inclusive, pela forma de divulgação do novo trabalho. Eles começaram a comercializar o disco através de uma série de vídeos satíricos de Greg Scholl, ex-executivo da NBC Universal, agora anunciado como o diretor de operações da "DEVO, Inc." Não bastasse a miss an cene, eles inauguraram a “filial” de Los Angeles para produzir uma série de vídeos satíricos contra uso de grupos focais em pesquisas de marketing e programação de rádio.

    Something For Everybody abre o disco de forma brilhante com um ar jovial em que Mark Mothersbaugh mostra-se ainda em forma à frente de vocais lúdicos e libidinalmente punk. Em What We Do surge uma brincadeira com a rotina massacrante do homem pós-moderno: “Gamin’, prayin’, believin’, maintainin’, textin’, electin’, rejectin’, infectin’”.

    Em Don’t Shoot (I’m A Man) a banda abusa de teclados para construir uma ode aventureira urbana, enquanto em seguida, com Mind Games, a viagem eletrônica mergulha mais fundo com  arranjos de chiptunes (chips de vídeo-game).

    No trecho final, Cameo é anárquica e sinistra, em contraposição a Later Is Now, faixa de expansão harmônica única, com sintetizadores espaciais e múltiplas vozes. Para finalizar, March On é o ápice robótico com uma letra surpreendentemente crônica.

    Não há dúvidas que Something For Everybody é um trabalho de grande apuro estético. Está anos à frente de discos lançados por bandas de indie-pop atuais. É seminal quando o assunto são as ideias e genial do ponto de vista da estruturação musical. Agora, basta aguardar a recepção de crítica e público, tanto quando apresentações em festivais e a progressão deste belo e essencial trabalho.

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