• A odisséia de Lawrence da Arábia

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    Lawrence da Arábia – Em sua melhor forma, Peter O’Toole interpreta o visionário oficial britânico

    A década de 60 foi extremamente profícua para a sétima arte. No Brasil, O Pagador de Promessas se torna o nosso único vencedor da Palma de Ouro em Cannes. No mesmo ano, Lawrence da Arábia circula pelos cinemas de todo o mundo, contando de maneira bela, poética e cinematográfica a trajetória de Thomas Edward Lawrence enquanto uma das principais figuras articuladoras da Revolta Árabe, ocorrida entre 1916 e 1918.

    Nesta obra, uma verdadeira odisséia, Lawrence (interpretado de maneira fantástica por Peter O’Toole) é um oficial britânico que está entediado em meio a trabalhos burocráticos e convence seus superiores de que será mais útil indo até o deserto, em missão a campo, para auxiliar o Príncipe Feisal (Alec Guinness, também conhecido como Obi Wan Kenobi da primeira trilogia de Star Wars).

    A tribo do Príncipe é uma das muitas que, futuramente, viria a compor o povo árabe. Lawrence é um dos primeiros a ter essa percepção de união das tribos e, por isso, estabelece uma estratégia para poder salvar a tribo do Príncipe. Essa estratégia consistia em, nada mais nada menos, atravessar um deserto imenso, durante mais de 20 dias, com longo período sem poder abastecer nem os camelos de água. Sol a pino durante o dia, frio intenso durante a noite.

    A impressão que temos, devido ao impacto inicial e ao desconhecimento, é de que não seria possível que esse homem tenha feito tudo o que fez no filme e, segundo a biografia dele, até mais do que foi mostrado. Mas é esclarecedor, nesse sentido, saber que na adolescência Lawrence se submetia a um regime espartano de treino físico, que o tornaria extremamente resistente. Era frequente fazer jejuns prolongados ou alimentar-se pobremente. Em 1909, ao preparar a sua tese de licenciatura, viajou até à Síria onde estudou os castelos dos Cruzados, percorrendo enormes distâncias a pé. De certa maneira, estava treinando para o que estava por vir.

    Em vários momentos do filme, nos surpreende a força de vontade do personagem, quase um super-herói do início do século XX, mas feito de carne e osso. Bom destacar que esse filme foi a estreia de Peter O’Toole no cinema (sua semelhança física com o personagem real é impressionante) e ele não perdeu a oportunidade de tornar sua atuação inesquecível. Omar Sharif (Xerife Ali) e Anthony Quinn (Auda abu Tayi) também são maravilhosos. Uma verdadeira aula de atuação, dos três.

    Outro destaque que não pode deixar de ser mencionado é a trilha sonora, impecável como poucas na história do cinema. O compositor francês Maurice Jarre, falecido em março de 2009, ganhou um de seus três Oscar por ela. Grandiosa como o filme e marcante, ela tem, inclusive, espaço reservado na projeção. Durante as quase quatro horas dos DVDs temos cinco minutos iniciais só de música, cinco no intervalo e cinco no início do outro disco, como assim exigiu o diretor do filme, David Lean (Passagem para a Índia, A Ponte do Rio Kwai).

    Lawrence da Arábia foi indicado em 1963 a 10 Oscar, sendo que ganhou 7: Melhor Direção de Arte, Melhor Cinematografia, Melhor Diretor, Melhor Edição, Melhor Trilha Sonora, Melhor Filme e Melhor Sonorização. Acho que Peter O’Toole e Omar Sharif mereciam os Oscar de Melhor Ator e Melhor Ator Coadjuvante a que foram indicados. Mas os dois eram jovens ainda. O’Toole, infelizmente, nunca ganhou um Oscar, a não ser aquele pelo conjunto da obra. Já Shariff ganhou um Globo de Ouro por sua atuação no filme. Nunca mais foi indicado. 

    detalhes

    Lawrence da Arábia é difícil de ser encontrado até mesmo em locadoras, mas naquelas especializadas em filmes antigos é item obrigatório.

    autor

    Priscila Armani é jornalista e apaixonada por cultura. Ela escreve sobre cinema, artes plásticas e teatro. Siga-a no Twitter.  - Leia outros textos de

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