Vittorio De Sica e a construção neorealista em Ladrões de Bicicleta
Por: Priscila Armani, em Colunas, Oldies | Nenhum comentário

Ladrões de Bicicleta – Atuações inesquecíveis, roteiro extraordinário e um olhar único sobre a existência humana. Um clássico imperdível
Se tem um filme sobre o qual posso falar sem medo é Ladrões de Bicicleta, de Vittorio De Sica, excepcional por sua qualidade e também pela emoção que transmite ao expectador.
Disponível em poucas locadoras por ser uma raridade e difícil mesmo até de ser encontrado para comprar, esse clássico do cinema mundial é um dos principais representantes do estilo Neo-realista, no qual o cinema italiano se tornou uma referência mundial naquela época.
Vittorio De Sica, para quem não sabe, foi ator, antes de ser diretor. Era uma espécie de galã, atuando em filmes românticos. Quando começou a ficar um pouco conhecido, dirigiu seus primeiros filmes, também ao estilo “comédia-romântica”, de enredos bastante simples.
A partir de 1942, já tendo obtido a confiança dos estúdios e tocado pela situação triste na qual a Itália se encontrava, dedicou-se a fazer filmes que refletissem a realidade nas telas dos cinemas. “Ladrões de Bicicleta”, inserido nesse contexto, chamou a atenção pela qualidade que apresentava, reconhecida pelo Oscar que ganhou.
A qualidade estava tanto na fotografia e na edição quanto na atuação dos atores. Todos eram amadores e deram ao filme uma intensidade impressionante. Particulamente o ator Enzo Staiola, o menino Bruno, atuou de maneira única, emocionando platéias em todo o mundo. Suas lágrimas eram verdadeiras: o próprio Vittorio chegou a lhe dar tapas no rosto.
A história do filme é ultrajante, mas é a pura realidade. Antônio Ricci (Lamberto Maggiorani) consegue um emprego depois de muita espera. Sua família passava fome e a alegria que sentiu com a oportunidade de trabalhar acabou quando soube que para ser colador de cartazes na rua precisava obrigatoriamente de uma bicicleta.
Ele tinha uma bicicleta, mas a havia penhorado. Sua mulher Maria (Lianella Carell) decide vender os lençóis do enxoval para obter dinheiro para resgatar a bike. Assim, ele consegue a bicicleta de volta e obtém o tão sonhado emprego, que lhe daria perspectivas para o futuro.
Bem, pelo nome do filme já se supõe o que acontece depois. Alegria de pobre dura pouco mesmo. E não duvido nada que essa frase, inclusive, tenha tido em suas origens a história construída por De Sica.
O filho do casal Bruno (Enzo Staiola) acompanha o pai em busca da bicicleta, sendo seu companheiro fiel em todas as horas de angústia. O filme me lembrou demais a obra “Os Ratos“, do escritor gaúcho Dyonélio Machado, que gera em que lê também uma sensação terrível.
As duas obras nos fazem concluir, inevitavelmente, que a vida pode ser boa mas, para algumas pessoas, a vida é uma merda sem fim.
O filme dá muita raiva, já adianto a vocês! Mas é a realidade, nua e crua, que vemos nas telas. Por isso, Ladrões de Bicicleta jamais envelhece nem perde a emoção que carrega consigo.
Assuntos relacionados: Enzo Staiola, Ladrões de Bicicleta, Lamberto Maggiorani, Vittorio De Sica
detalhes
Ladrões de Bicicleta, de Vittorio De Sica (1948)
autor
Conteúdo Relacionado











