• Um mergulho no Holocausto é o que nos proporciona Ghetto

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    Ghetto – Escrito por Zvi Kolitz, texto foi adaptado por Elias Andreato e é protagonizado por Fábio Herford

    Em 1946, um ano após o fim da Segunda Guerra, um jornal judaico de Buenos Aires, o Idiche Zeitung, publicou um relato impressionante, intitulado Yossel Rakover Dirige-se a Deus. Tratava-se de um suporto diário de um judeu polonês, encontrado numa garrafa, nos escombros do gueto de Varsóvia.

    Inicialmente, estimou-se que tivesse sido escrito em 1943 e detalhava de maneira dramática a perspectiva que um judeu, Yossel Rakover, teve da guerra, assistida de seu sótão. O estrondo das bombas, os gritos à distância, tiros, paredes que desabam, a fome, a sede. De seu esconderijo, cercado de cadáveres, Rakover descrevia o que via, levando o leitor para dentro do gueto em ruínas.

    Este texto era, apesar de dramaticamente vívido, uma ficção, escrita em 46 pelo judeu lituano Zvi Kolitz. Transformada em livro, o texto tornou-se um clássico da literatura e agora foi adaptado para o monólogo Ghetto, em cartaz no Teatro Eva Herz, na Livraria Cultura da Av. Paulista, até 29 de julho.

    Na peça, o ator judeu Fábio Herford vive Yossel Rakover, escondido em um porão no gueto de Varsóvia, em meio ao Holocausto. A cenografia-instalação na qual ele se encontra inclui pilhas de sapatos, um piano no qual o ator executa uma composição de sua autoria e projeções esmaecidas de imagens de campos de concentração. A atmosfera quase delicada remete ao passado, mas o depoimento do personagem, em tempo real, traz a intensidade de quem se vê diante da morte.

    Em meio à tragédia, Rakover conversa com Deus, muitas vezes voltando seu olhar ao céu, buscando respostas para tamanha carnificina. Outra inquietação do personagem é saber por que os homens exterminam seus semelhantes, sua própria espécie. Ele expressa revolta pelo que ocorre, mas sua fé se mantém inabalável. Ao discutir com Deus, ele resgata a filosofia da Torá, livro sagrado para os judeus.

    A direção de Elias Andreato opta por uma interpretação mais contida, que minimiza o apelo emocional óbvio da temática.

    detalhes

    Ghetto
    Até 29/07/2010
    Teatro Eva Herz - Livraria Cultura - Conjunto Nacional
    Av. Paulista, 2.073
    Informações: (11) 3170-4059

    autor

    Priscila Armani é jornalista e apaixonada por cultura. Ela escreve sobre cinema, artes plásticas e teatro. Siga-a no Twitter.  - Leia outros textos de

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