• Avec Silenzi, um mergulho sonoro

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    Avec Silenzi – Banda aposta em vertentes de influências variadas e texturas complexas

    Seguindo a tradição de bandas como Mogwai, Explosions in The Sky e outros grupos de post-rock, apostando também em diferentes texturas, os cariocas do Avec Silenzi lançam agora dois trabalhos pela Manifesto Discos, Avec I e Avec II.

    Ao optar pela vertente instrumental, abrindo concessões pelo caminho óbvio de melodias e estruturações facilmente assimiláveis, o Avec Silenzi mergulha profundamente na linha tênue que separa a música de consumo instantâneo de propostas pautadas em sofisticação e degustação a longo prazo.

    Duda Souza (bateria), Rafael Ferreira (baixo) e Renan Vasconcelos (guitarra) estão juntos desde 2008, tendo realizado até então shows pelos estados do Rio e São Paulo. Passo natural a concretização física da sonoridade da banda, com o lançamento dos dois álbuns, que parecem dar à carreira do grupo uma coerência de nortes e possibilidades.

    Avec I e Avec II são trabalhos que simbolizam uma busca incomum por uma música complexa e de pesquisas por timbres, estruturações e pormenores raros ao cenário independente. Há entre os dois trabalhos pontos de ligação nítidos. Na guitarra, a sonoridade cristalina. No aspecto rítimico, a quebra com repiques em Fusa. A linha melódica também mantém-se sempre calcada num baixo de peso substancial e andamento bem demarcado.

    Avec I traz 13 faixas de curta duração (com exceção de duas acima de 5 minutos). Aqui, a banda expressa-se de forma energética. A faixa Indelicada simplifica o raciocínio, com uma melodia direta e rápida. Em seguida, Stupid Boy explora ao máximo a bateria, que dita dinâmica e tem aspecto ímpar. Muflerie chega a flertar com o funk sessentista. Hotel Berlim é, entre todas deste disco, a de variações mais latentes, com passagens de levada jazzística.

    Mais à frente, Amalgama presume uma leitura cinematográfica, dando uma quase trilha sonora corroborada por wha-whas. Pavê retoma o jazz em primeiro plano. Para encerrar, Avec mergulha de vez no post-rock, em que sete minutos são divididos em torno de uma progressão introspectiva e resolução densa. 

    Já o Avec II parece se articular como um desdobramento natural. Casa Velha, por exemplo, é uma faixa de cordas em evidência, enquanto Bibliografique explora harmonia em uma evolução cíclica e envolvente.

    Tara Donavan flui calmamente por um registro de sobreposições, enquanto Ovules Resposing é a faixa mais curta, de dedilhados ágeis e regionalistas. Finalizando, Araras tem vicissitudes e desdobramentos em aberto. A melodia não dá círculos e, se comparada com outras faixas, marca evolução neste sentido. É um ápice que ao final introduz elemento eletrônico. É também um devir, ou prenúncio de um já aguardado Avec III.

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