• Chutando o traseiro de Kick-Ass, Quebrando Tudo

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    Kick-Ass – Ao contrário da propaganda vendida por aí, este é apenas mais um filme de super-herói

    Matthew Vaughn pode ser um produtor experiente, mas é um diretor iniciante. Antes de Kick-Ass – Quebrando Tudo, dirigiu Nem Tudo é o Que Parece e Stardust – O Mistério da Estrela. Apesar disso, seu novo filme tem lhe rendido bastante elogios. E já lhe garantiu tanto a direção de X-Men: First Class em 2011 quanto a sequência Kick-Ass 2: Balls to the Wall, anunciada para 2012.

    No entanto, é bom preparar os fãs da série de histórias em quadrinhos de Mark Millar para a total frustração. O filme é bem razoável mas se nem de longe gera grandes emoções naqueles que desconhecem o enredo, imagino naqueles que tem familiaridade com ele. Kick-Ass – Quebrando Tudo nada mais é que um filme mediano, com enredo bem bobo e contraditório, e que em nada se diferencia de outros longas de super-heróis sendo até pior do que alguns deles.    

    Deixem-me explicar. O enredo é todo construído sobre o personagem de Dave Lizewski (Aaron Johnson, será John Lennon em Nowhere Boy, sem data de estreia prevista no Brasil ainda), seu altruísmo e vontade de ajudar os outros se tornando um super-herói. A partir dessa premissa, o público é levado a acreditar numa perspectiva logo nos primeiros minutos da projeção. O que acaba acontecendo é que a obra se torna um mais um filme de super-heróis bem clichê. Especialmente com a inserção dos personagens de Chloe Moretz e Nicolas Cage (este último péssimo como sempre).

     
    Mas nem tudo é dispensável nessa produção. Destaque para o quanto Chloe trabalhou para "segurar" o filme. E, vejam bem, ela tem 13 anos! Claro que, apesar de se sair relativamente bem, não deu conta de fazer Kick Ass funcionar como um todo. Uma atriz só não faz uma boa obra. E merece ser destacado também Mark Strong, fazendo mais um vilão. Está trabalhando bastante esse cara. Só nessa temporada, além desse filme, fez antagonistas em Sherlock Holmes, Robin Hood e A Jovem Rainha Vitória. E vai estar em pelo menos mais cinco produções, até 2011, incluindo o papel de Sinestro em Lanterna Verde. Promissor ele. Vale a pena prestar atenção.

    Devem também serem mencionadas as cenas de ação espetaculares, mas que não "mantém" o enredo. Na verdade, elas parecem ser o único motivo pelo qual o filme foi feito e uma das poucas razões para assistí-lo. Ver super heróis sem moral ou comportamento politicamente correto, arrebentando tudo com extrema violência, sempre é bem legal para boa parte das pessoas, isso é fato. E parece ser uma tendência que Hollywood está ditando para este gênero nos próximos anos. 

    A trilha sonora transita entre o tradicional e o inusitado e inclui Primal Scream, The New York Dolls, Ennio Morricone e até mesmo Elvis Presley. Destaque para a grande cena de Chloe, quando passa por uma espécie de biblioteca, e começa a destruir tudo ao som de Bad Reputation (Interpretada pela banda The Hit Girls, prefiro a versão de Joan Jett). Simplesmente fenomenal.

    Kick-Ass – Quebrando Tudo é bastante inverossímel, o que decepciona, principalmente pelo que se propõe. Muitos elementos contemporâneos estão lá: as pessoas pedem socorro por e-mail, vêem vídeos pelo youtube, o protagonista é mais um fã de Lost. Mas essa abordagem interessante não predomina. A obra é, pura e simplesmente, sangue, o que, se por um lado deixa muitos felizes, por outro não satisfaz. Um pouco de Cinema seria bacana. Melhor sorte na próxima, Vaughn.

    detalhes

    Kick - Ass - Quebrando Tudo
    Dirigido por Matthew Vaughn (1h 58min)
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    autor

    Priscila Armani é jornalista e apaixonada por cultura. Ela escreve sobre cinema, artes plásticas e teatro. Siga-a no Twitter.  - Leia outros textos de

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