Calavera e a incursão de Guizado
Por: Salomão Terra, em Música, Review | Nenhum comentário

Guizado – Em seu segundo trabalho, Calavera, músico mergulha em experimentações e texturas variadas
Guizado AKA Gui Mendonça. Instrumentista que faz do trompete seu porto seguro, tendo já acompanhando vários outros músicos, ele se aventura agora no segundo projeto autoral, Calavera, disponível para download como Álbum Virtual da Trama.
Samplers, jazz, rock, hip hop, africanidades e regionalismos estão presentes, mas de maneira alguma ditam a tônica do trabalho. Buscar compreender a sonoridade deste projeto, em seu aspecto conceitual, é quase impossível. A leitura faixa-a-faixa de canções, em isolado, no aspecto da forma estrutural, torna-se um exercício muito mais profícuo e revelador.
Uma novidade em relação ao primeiro trabalho, Punx, é que Guizado apresenta seus vocais, contrapondo a vertente instrumental. Neste campo, há ainda participações de Céu e Karina Buhr. Entretanto, banhada de efeitos e texturas, a voz de Gui Mendonça permanece em simbiose que favorece inquestionavelmente às harmonias e instrumentalização.
Amplidão, por exemplo, abre os trabalhos com uma inebriante faixa de samplers e vocais etéreos. Em Asfalto Quente, entra em primeiro plano uma composição que joga o trompete para fora de sua aplicabilidade presumidamente erudita, ambientando-o num clima gueto, com riff de guitarra pesado e marcante.
Mais à frente, Girando é um dos pontos altos, com dinâmica robótica e ritmo mecânico, contraposto pelo lirismo de letra quase romântica. Em A Emanação dos Sonhos e Mais Além, Guizao vale-se de uma vertente percussiva, africana e regionalista, corroborada por samplers e delays.
Role Beleza é um quase-dub de Sopros em evidência. Marisco e Skate Phase caminham pelas praias do power-pop translúcido, enquanto a faixa título Calavera aponta para experimentalismo dos timbres, embora melodicamente permaneça sem tanto risco. Vendaval e Wow encerram o disco em sequência interessante, culminando num absoluto clímax eletrônico urbano.
Dessa forma Calavera se articula como um trabalho de produção rara, atenta aos mínimos detalhes. Escutar o disco é exercitar a sensibilidade musical e descobrir possibilidades inesgotáveis de confluência entre sopros, samplers e rock.
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