• Melvins e The Bridge Screamed Murder

    melvins

    19º álbum da banda gene do cenário alternativo americano leva o nome de The Bridge Screamed Murder

    Olhando para o norte, em direção ao território do Tio Sam, e pensando rapidamente em quais bandas marcaram o cenário da música pop Yankee nos anos 90, impossível não citar o Nirvana como referência inconteste. Mas na miríade de referências daquela safra, nenhum nome foi mais respeitado que o Melvins.

    A propósito, o então trio não nasceu na Seatle noventista, mas sim quase 10 anos antes na minúscula cidade de Montesano. Formada originalmente por Buzz Osborne (guitarra/vocais), Matt Lukin (baixo) e Mike Dillard, que passou as baquetas rapidamente para Dale Crover, o grupo apostava em influências do hardcore punk de Black Flag, que no início da década de 80 já impregnava toda a cena alternativa dos EUA.

    Mas a cidade de Montesano tornou-se pequena e o Melvins rapidamente se moveu para Aberdeen. Aliás, foi nesta cidade (hoje com pouco mais de 16 mil habitantes) em que batera do Melvins, Dale Crove se tornou amigo do residente Kurt Cobain. Pouco depois, com a saída do primeiro baixista, Kurt foi convidado para tocar baixo na banda, mas temeroso em errar as músicas contentou-se com a posição de amigo/roadie. Quase 10 anos após o episódio, Crove gravaria as baterias do EP de estreia do Nirvana, Bleach, e apresentaria Dave Grohl a Kurt e Novoselic. Outra curiosidade é que o baixista do Melvins, em meio a tantas mudanças de cidades, abandou a banda e criou o Mudhoney, projeto não menos notável .

    A partir daí, muito da história da banda é conhecida. Com o surgimento da cena grunge, em Seatle, grupos como Soundgarden e Green River apontaram os Melvins como sua principal referência. Eles ainda colaboraram com inúmeros músicos, como Jello Biafra, do Dead Kennedys, Mike Paton, do Faith No More e Adam Jones, do Tool.

    E hoje, quase 30 anos após seu surgimento, os Melvins lançam seu 19º disco de estúdio, intitulado The Bridge Screamed Murder, trabalho sujo, conceitual e que carrega em sua essência peculiaridades notáveis de Buzz e Crove, acrescidas dos músicos Jared Warren e Coady Willis, parceiros na banda Big Bussiness.

    São ao todo 9 faixas de clima denso. Há no trabalho flerte nítido com vertentes punk, rock garageiro e até heavy metal. Definir a sonoridade dos Melvins sempre foi desafio e aqui não é diferente.

    A faixa de abertura The Water Grass, por exemplo, tem seu início semelhante à faceta mais pesada do Soundgarden, para então desembocar num "1,2,3,4…" precedido de um punk lúdico e “inofensivo”. Mais a frente Pig House é um dos pontos altos. Há aqueles riffs que fazem adolescentes sentarem durante horas para praticar guitarra, mas também uma maturidade que permite à banda expandir seus contornos a vários campos sem soar óbvia.

    Eletric Flower é uma aula de bateria com pulsos bem demarcados e estruturação complexa. My Generation e P.G X3 encerram os trabalhos caminhando rumo à fronteira de experimentações e ruídos. Frases soltas e dinâmicas mirabolantes confundem e sintetizam muito da história desse axioma da música pop norte-americana.

    Mais de: Música, Review

    Assuntos relacionados: ,

    detalhes

    Conheça mais do Melvins em seu site e Myspace.

    autor

    Curte bares discretos, livrarias e feriados prolongados e vazios. É Jornalista, amante de literatura, música e tecnologia. Siga-o no Twitter ou no Facebook.  - Leia outros textos de

    Deixe seu comentário






    (*)campos obrigatórios.

    Editorias

    A POP4 é uma revista de crítica de cultural e entretenimento. Surgida a partir do projeto Opperaa - 2008