• Rock Brasuca

    julio-barroso

    Um breve ensaio sobre a gênese e o apocalipse do rock nacional

    O que houve com Rock and Roll tupiniquim? Em priscas eras, ele era povoado por jovens que: idealizavam lotar estádios, vender milhares de cópias de discos pelo mundo afora e foder o máximo de mulheres que conseguissem em um único dia.

    O calendário dizia ser final dos anos 50 e lá estava o Rock and Roll nascendo e oferecendo sinais de abalos nos padrões comportamentais do jovem. A juventude brasileira não deixou por menos e através dos irmãos Tony e Celly Campelo seguiu de forma fidedigna o que os negros estadunidenses começaram e um branco, protestante e galã, chamado Elvis Presley fora encarregado de universalizar.

    A década de 60 surge e uma rebeldia com ares de inocência apoderava do rock brazuca. Um cabeludo que atendia pelo nome de Roberto Carlos e amava a bossa-nova fora coroado Rei. Aquele capixaba – manco de uma perna – tratou de ditar as normas a toda uma geração amante da calça jeans. E graças a ele, a loira que ele comia e ao amigo com quem fumava maconha o rock nacional conheceu o primeiro momento de relevância.

    Veio à temporada setentista, impulsionada pelo ‘milagre econômico’, e tudo se tornou colorido graças ao efeito lisérgico sugerido pela psicodelia da Tropicália. Ah! Como foi uma época de libertinagem camuflada hein? Os militares, que eram roqueiramente classificados como ‘bandos de filhos da puta’, por pouco não ceifaram a vida transviada e leviana que insistia em ser levada. A contextualização musical estabelecida entre Rita Lee, todos aqueles baianos e à malandragem carioca deu ao rock feito no Brasil um caráter de caleidoscópio. E ainda assim, em meio a esse bacanal de acontecimentos, o segmento musical favorito da juventude escapou ileso e tocou o teu bonde adiante.

    E ‘década perdida’? Curiosamente foi uma temporada mais nivelada entre rock made in Brazil com sua parentela do exterior! Ele bebia nas fontes do punk feito em Londres e nas veias do pop estadunidense. Poetas eram reconhecidos, mas de certa maneira as orgias e os entorpecentes existentes em grande escala não trouxeram bons frutos. E como conseguiu passar 10 anos com a sensação de imensa aceleração? Esse tal de rock nacional clamou fervorosamente pela queda dos militares e quando atingiu a liberdade de expressar; jogou tudo pela janela! 

    Chegaram os praticamente já distantes anos 90 e quase que a extinção apoderou do rock. Em virtude das explosões musicais em todo solo brasileiro, ele se tornou algo sem graça, quiçá decadente. Uma miséria tomou conta do núcleo de criação do rock nacional. Até um bando de mineiros, que por incrível que pareça não eram solidários apenas no câncer, se tornaram a ‘salvação’. Que desespero hein? Precisou de muita coisa acontecer para que a qualidade, sempre existente, na musicalidade oriunda da terra do pão de queijo fosse reconhecida.

    E atualmente? Por que essa cultura plastificada, vaidosa e afeminada denominada ‘Emo’ apoderou do rock brasuca? Onde anda a rebeldia e a sensualidade de outrora? Os filhos nascidos há 20 anos estão sem fôlego para salvar o segmento e os concebidos há pouco tempo caminham de maneira errante. Paulo Ricardo, por exemplo, nem de longe parece ser o gladiador de cabelo diferente e muito menos o voraz comedor de ninfetas. Em pleno novo milênio, qual é o papel dos primogênitos rockers? 

    O rock feito no ‘país do carnaval’ caminha em passos leves, seguros e graduais para total desgraça e recebes sem reação alcunha de ‘pseudo música jovem made in Brazil’. É melhor abrir os olhos, pois, até padres e pastores, os seres que não podem prever pecados, devoram a essência roqueira e ficam com os bolsos endinheirados.

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    Estudante de jornalismo, colecionador de vinil e pesquisador da música. Apreciador dos hábitos do homem do campo. Adora conhecer lugares diferentes e tecer conversas que agregam algum tipo de conhecimento. - Leia outros textos de

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