James Lidell volta à ativa com Compass
Por: Salomão Terra, em Música, Review | Nenhum comentário

Vivendo na encruzilhada nebulosa entre o soul e indie rock, Jamie Lidell tornou-se relativamente conhecido por emplacar uma faixa na seriado Grey’s Anatomy.
Mas para além das obviedades que tal fato possa presumir, o músico vem, desde o lançamento de Freekin The Frame, EP de 1997, construindo uma linguagem autoral dotada de particularidades, como é o caso de Compass, disco recém lançado com participações de Beck, Grizzly Bear’s Chris Taylor, Lindsey Rome e Robbie Lackritz.
O trabalho continua apostando mesma vertente escolhida por Jamie Lidell. Logo de início, Your Sweet Boom traz uma levada dançante com guitarras distorcidas embriada de vocais translúcidos e interferências eletrônicas. She Needs Me reforça a tese de vocais R&B e linhas rítmicas experimentais.
I Wanna Be Yout Telephone inicia uma postura ímpar. Aqui, James mostra que Compass tem muito a mostrar no campo de harmonias complexas e iconoclastias sonoras. Samplers e vozes ruminantes constroem uma faixa complexa, dotada de bricolagens. Um baixo marcante, pesado e cíclico conduz um mergulho de múltiplos elementos, passando da Disco 60′s às modernas técnicas de mixagem.
Enough is Enough apoia-se na década de 70 com teclados coloridos. The Ring adiciona mais conflitos entre soul e música eletrônica, enquanto You Are Waking está mais para dance rock e Compass para o pop de Beck (que também produz o disco) com doses generosas de folk e tensão.
Coma Chamaleon e Big Drift, já ao final, mergulham em momento perturbador e na essência de Compass, uma viagem de libertação criativa e o caminho da contramão mainstream, longe de rótulos e pressupostos estéticos.
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